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22 de outubro de 2012 • 08h10

Brasil terá primeiro carro elétrico 100% nacional neste ano

Com tecnologia 100% nacional, a VEZ do Brasil pretende lançar seu primeiro veículo elétrico ainda em 2012
Foto: VEZ do Brasil / Divulgação
 

Depois de uma visita a uma feira de automóveis nos Estados Unidos, em 2001, o engenheiro eletricista Tony Saad começou a pesquisar sobre como criar um veículo elétrico no Brasil, sem tanque ou radiador. Muitos anos e tentativas depois, Saad conseguiu finalizar um protótipo com sistema de tração elétrico, passando a trabalhar no design do projeto.



A partir de pesquisas de mercado que demonstraram que cerca de 90% dos veículos nas grandes cidades circulam, na maior parte do tempo, apenas com seus motoristas, o engenheiro concluiu que o veículo elétrico deveria transportar até duas pessoas, ter 100 quilômetros de autonomia média e chegar à velocidade de até 120 km/h. Com essas características, a Veículos de Emissão Zero (VEZ) do Brasil, da qual Saad é diretor-presidente, criou o Seed (em inglês, Small Eletric with Economic Design, segundo o site da empresa), 100% elétrico e com tecnologia totalmente nacional, previsto para ser lançado ainda neste ano.



Com 54 cavalos e garantia integral de dois anos - são quatro anos para a bateria -, o Seed poderá ser recarregado em qualquer tomada elétrica, em cerca de sete horas, no modo de carga lenta. Em situações de emergência, o carro pode recuperar 80% de sua carga em até 20 minutos, por meio do sistema de carga rápida, em um dos poucos eletropostos presentes no Brasil. Bastante difundidos em outros países, o reduzido número existente no país se concentra em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba.



Consumo será em média cinco vezes mais baixo

Segundo Saad, os eletropostos devem ser utilizados em última necessidade, pois a recarga rápida, quando usada com frequência, pode diminuir em cerca de metade a vida útil da bateria do veículo. Além de ser um meio de transporte não poluente, o carro elétrico destaca-se pela economia. "Ele consome cerca de cinco vezes menos energia em relação ao consumo de combustível de um veículo flex normal. Se o último gastar R$ 500 por mês com gasolina, o elétrico vai gastar R$ 100 mensais com eletricidade, aproximadamente", exemplifica o diretor-presidente da VEZ do Brasil.



O engenheiro eletricista afirma que o processo de desenvolvimento do Seed envolveu universidades e institutos de ciência e tecnologia, estando hoje na fase da montagem da fábrica-piloto de produção, em Curitiba (PR). Para tanto, estão em andamento negociações com diversos grupos de investimento. A VEZ vai terceirizar sua rede de serviços e tem a meta de construir seis novas fábricas em cinco anos. "Diferentemente dos outros veículos, a manutenção do elétrico fica reduzida a troca de pastilhas de freios e pneus, o que pode ser feito em uma rede autorizada terceirizada. Como o produto é urbano, nossa operação-piloto vai começar em Curitiba, e, aos poucos, vamos replicar a experiência em outras cidades com mais de 500 mil habitantes", explica Saad.



Futuro do projeto depende de isenção de impostos

Quando for lançado, o Seed deverá custar cerca de R$ 48 mil, sem isenção fiscal, o que levou a VEZ a buscar apoio governamental para abatimento dos impostos. Com esse auxílio, o valor do carro poderia baixar para menos de R$ 20 mil. Além do city car para duas pessoas, a empresa paranaense pretende lançar as três versões utilitárias do pequeno carro elétrico no segundo semestre de 2013, com cerca de 79 cavalos de potência e capacidade para 400 quilos de carga, a um custo de R$ 65 mil, sem isenção fiscal.



O diretor-presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Pietro Erber, recorda que os primeiros projetos de carros elétricos movidos a bateria no Brasil surgiram ainda na década de 1970, mas não tiveram sucesso no mercado do país, especialmente devido ao preço elevado, em função de fatores como a falta de isenção de impostos. Para Erber, o futuro do automóvel elétrico no país depende do apoio governamental. "Com um esforço coordenado por parte dos órgãos públicos, a popularização pode acontecer com uma certa rapidez, pois me parece que é muito mais o governo perceber o carro elétrico como fator de diversificação industrial, pesquisa, desenvolvimento e de melhoria da qualidade ambiental. Se esses fatores se juntarem, é muito possível que, em 10 anos, o carro elétrico de bateria se torne mais visível", acredita.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra