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Após tragédia em Santa Maria, campuseiros se preocupam com segurança

29 jan 2013
16h14
atualizado em 13/2/2013 às 19h06
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A primeira coisa que a paulista Tatiane Souza, de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, fez quando chegou na Campus Party Brasil neste ano foi procurar as saídas de emergência do Anhembi Parque, casa da festa em 2013. "Até minha mãe falou que era para eu chegar e já analalisar o lugar, localizar possíveis saídas", conta. O conselho é um reflexo da tragédia que ocorreu na véspera do evento, e que resultou na morte de mais de 230 pessoas na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. As vítimas morreram em uma boate cujo interior pegou fogo, e possíveis falhas nos planos de emergência e combate a incêndio são apontados como chave no incidente.

Possibilidade de incêndio preocupa participantes da Campus Party; especialista garante que plano de emergência é satisfatório
Possibilidade de incêndio preocupa participantes da Campus Party; especialista garante que plano de emergência é satisfatório
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Segundo a administração do local, o Anhembi Parque, onde se realiza a Campus, que tem público estimado em 8 mil pessoas, os pavilhões têm alvará de funcionamento junto à prefeitura de São Paulo, no Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru).

O Pavilhão de Exposições, onde ocorre a Campus, conta com área de exposição de 76 mil m² (pavilhão Norte/Sul e pavilhão Oeste) e dispõe de 27 portões. Destes, 21 funcionam como saídas de emergência identificadas e em material luminescente que ficam visíveis mesmo em caso de falta de luz, garante a assessoria do Anhembi. Juntos, diz a administração do local, estes portões somam 170 metros de saída. Também são sinalizados 70 hidrantes e 120 extintores fixos do local, entre eles os portáteis e sobre-rodas (carretas extintoras).

"Agora que vi que tem um ali", diz Ivan Fernandes, de Belo Horizonte, apontando para um extintor próximo à entrada do camping, no lado da arena, ao ser entrevistado pelo Terra. As saídas de emergência, no entanto, ele não sabe onde estão. "Ouvi alguém comentando que tem uma na parte de trás do camping", avisa o amigo Gustavo Domingues, também de Belo Horizonte.

A área do pavilhão Oeste, onde fica o acampamento, com 18 mil m², também conta com chuveiros automáticos (splinkers).

Os mineiros Bruno Souza e Gustavo Pedra, de Congonhas, viram a saída por acaso. "Quando chegamos tinha um bombeiro na porta dos fundos", lembra Bruno, ponderando que, se não fosse por isso, não teria procurado pela saída. Gustavo notou as placas indicativas, mas também por acaso, admite.

Segundo o Anhembi Parque, em caso de queda de energia, 20% da iluminação do pavilhão é garantida com estrutura de geradores (iluminação de emergência). São 45 globos que funcionam como iluminação de emergência para o pavilhão Norte-Sul e 27 luminárias que funcionam como emergência para o pavilhão Oeste. Todo o pavilhão é coberto por sistema de alarmes.

"Com relação ao número de portas de saída de emergência, a planta está totalmente dentro do padrão da lei. A quantidade é suficiente e satisfatória para atender a evacuação dessas 8 mil pessoas no tempo de 3 minutos sem correria e apavoramento, em caso de sinistro", afirmou ao Terra o consultor técnico em segurança do trabalho Zenildo Ferreira.

A estrutura parece suficiente para os participantes do evento. O casal de paulistanos Paulo e Regiane Milatias, por exemplo, não se preocupou com a questão. "Esta é a nossa primeira Campus Party, mas já viemos a outros eventos no Anhembi Parque e conhecemos o lugar", explica Paulo. "E eu sei que há extintores perto do banheiro", completa Regiane.

O assunto, no entanto, é sensível. Os bombeiros civis presentes no local não têm autorização para falar com a imprensa e a organização, contatada na manhã da segunda-feira, primeiro dia do evento, pela reportagem do Terra via assessoria de imprensa, não forneceu informações ou um porta-voz para tratar do assunto até a publicação dessa matéria.

O Corpo de Bombeiros, contatado também desde a tarde de segunda-feira, também não enviou as informações solicitadas pelo portal Terra até a publicação deste texto.

Campus Party Brasil 2013
A sexta edição da Campus Party Brasil, uma das maiores festas de inovação, tecnologia e cultura digital do mundo, acontece entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro no Anhembi Parque, em São Paulo. Na Arena do evento, 8 mil pessoas têm acesso à internet de alta velocidade e a mais de 500 horas de palestras, oficinas e workshops em 18 temáticas, que vão desde mídias sociais e empreendedorismo até robótica e biotecnologia. Cinco mil desses campuseiros passam a semana acampados no local.

A 6ª edição traz ao Brasil nomes como o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros homens a pisar na Lua, e o fundador da Atari, Nolan Bushnell. Em sua sexta edição em São Paulo, a Campus Party também teve no ano passado a primeira edição em Recife (PE). O evento acontece ainda em países como Colômbia, Estados Unidos, México, Equador e Espanha, onde nasceu em 1997.

Nas edições brasileiras anteriores, o evento trouxe ao País nomes como Tim Berners-Lee, o criador da Web; Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers do mundo; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Steve Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Steve Jobs; e Kul Wadhwa, diretor-geral da fundação Wikimedia,que mantém a Wikipédia.

O Terra cobre o evento direto do Anhembi Parque e, além do canal especial Campus Party Brasil 2013, os internautas podem acompanhar as novidades pelo blog Direto da Campus. Para seguir a festa pelo Twitter, basta acompanhar a hashtag oficial do evento, #cpbr6.

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Fonte: Terra
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