Campus Party

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01 de fevereiro de 2013 • 17h12 • atualizado às 17h41

Internet deve ser como Lego, defende diretor da Mozilla

Marc Surman, da Mozilla, palestrou na Campus Party nesta sexta-feira
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Transformar a web em uma plataforma aberta. Mark Surman, diretor-executivo da Mozilla Foundation, repetiu o conceito algumas vezes na palestra que deu nesta sexta no palco principal da Campus Party Brasil. A idéia é que os usuários possam manipular a web, em vez de ficar dependentes dos serviços de grandes empresas, e construi-la da forma que desejarem.

"A web foi feita para ser como Lego", comparou, emendando em seguida: "deveria ser divertido". "Vamos usar a web para criar mais web", resumiu, citando o Mozilla Webmaker, ferramenta que permite ao usuário comum construir conteúdos na internet usando recursos que já existem. Ferramentas que incentivem o usuário a mudar a internet são necessárias para chegar lá, e é essa direção que a fundação de Surman tenta seguir.

O executivo citou dados de que 67% das crianças britânicas entre 8 e 15 anos querem aprender a programar. Surman defendeu a programação como disciplina em sala de aula e sugeriu que todos devem aprender a programar. Ele traçou um paralelo com o escotismo, que tirou a cultura do acampamento de exclusividade militar e a inseriu na vida civil. A programação, para o diretor, seguirá o mesmo caminho.

A privacidade na rede também entrou na palestra de Surman, que comentou que hoje os usuários já disponibilizam, de graça, muitos dados pessoais. Na coletiva de imprensa ele detalhou que isso não é necessariamente ruim, mas que é preciso "aprender a equilibrar o que é privado e o que se ganha ao colocar dados (pessoais) em uma rede social". "Já fazemos isso no dia-a-dia, somos ao mesmo tempo pessoas públicas e privadas", reforçou.

Firefox OS
Surmam citou o Firefox OS, sistema operacional móvel que a Mozilla desenvolve em parceria com a Telefónica, como uma iniciativa que deve levar adiante o conceito de web aberta e de possibilidade de "construir a internet que queremos". O executivo indicou o acesso a partir de dispositivos móveis como um dos caminhos do futuro nesse sentido.

Ele também identificou o sistema operacional como uma alternativa, destacando que não é bom para o mercado ter o segmento concentrado nas mãos de duas únicas empresas - o Google, com o Android, e a Apple, com o iOS do iPhone e do iPad. Sobre a chegada do Firefox OS em tablets ou computadores pessoais, Surman despistou com "um passo de cada vez". Mas disparou: "é um sistema open source, então as pessoas podem usá-lo e fazer com ele o que quiserem - e talvez elas façam mesmo".

Na coletiva de imprensa, questionado sobre porque a Mozilla tomou a iniciativa de fazer o próprio sistema operacional mobile apenas agora, Surman afirmou não haver motivo exato, mas ponderou que antes "a plataforma web não estava pronta". "Precisamos desenvolver os APIs primeiro", exemplificou.

Pablo Larrieux, diretor de Inovação da Telefónica, que acompanhou a coletiva ao lado de Surman, descreveu que a ideia surgiu da insatisfação com as opções. "Pensamos, 'isso não é o melhor que se pode entregar aos clientes, precisamos fazer algo a respeito'", relatou. O diretor de Terminais da Telefónica, Hilton Mendes, também presente, afirmou que os smartphones com Firefox OS chegam no segundo semestre de 2013, a cerca de US$ 100, e provavelmente por quatro fabricantes - duas já confirmadas: ZTE e Geek Phones.

 

Terra