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Sábado, 16 de fevereiro de 2008, 16h21 Atualizada às 16h39

Artista transforma lixo eletrônico em bijouterias

Eva Mothci
Direto de São Paulo

Anéis feitos com pedaços de gabinetes,, teclas, eletrodos, conjuntos de colar e brincos criados com pedaços de disquetes, fios, cabos e componentes de placas dão uma mostra do trabalho da artista plástica Naná Hayne. Ela deu uma oficina na manhã deste sábado, ensinando e passando sua mensagem, a de que o os componentes eletrônicos obsoletos, transformados, viram beleza, ganham vida e utilidade.

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"Minha impressora e PC quebraram e eu, num ataque de raiva, dei um puxão no cabo, e vi pela primeira vez o que tinha dentro da impressora: fios coloridos", conta ela. "Aí abri também o PC, vi a placa-mãe e pensei, gente, parece Brasília", continua. Isso aconteceu há cinco anos, e foi o despertar de Naná para a reciclagem. O que era algo estragado e sem valor virou, para a artista, uma nova inspiração.

A partir daí, ela começou a pesquisar componentes eletrônicos e examinar os materiais da indústria de tecnologia. "As pessoas não percebem o valor que existe no que consideram apenas porcaria", diz. Naná não parou mais de trabalhar com essa visão de transformação, reaproveitamento, combate ao desperdício e, mais importante, a conscientização. "Meu interesse é encontrar apoio das empresas de tecnologia, elas precisam acordar para isso", explica. "O discurso comum é preparar as crianças para um futuro melhor, mas podemos, todos, começar isso agora", prega.

Um exemplo do que ela chama de falta de visão: "na área de exposição, aqui, há um estande de uma empresa de tecnologia com o chão feito de placas de vidro com pedras dentro. Pedras por quê?" Naná acha que em vez de pedras, poderiam ser componentes eletrônicos, como uma forma de mostrar às pessoas que eles existem, e que podem ter outras utilidades.

As bijouterias expostas na Campus Party são apenas uma parte do que ela realiza. Com formação em programação visual, Naná também cria vitrines e outros ambientes, sempre com utilizando "restos" da indústria eletrônica. Seus trabalhos - inclusive o primeiro, uma tela dividida em duas que simboliza o encontro dos dois mundos - podem ser vistos no blog que ela mantém. "Se cada área olhar para essa questão, cada uma com sua visão mas com um objetivo comum, as conexões se farão. Esta é a minha mensagem", conlui.

Terra

Reinaldo Marques/Terra
Naná Hayne mostra uma de suas criações na Campus Party
Naná Hayne mostra uma de suas criações na Campus Party

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