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RIM foca na América Latina e lança dois BlackBerry "locais"

23 mai 2012
13h40
atualizado às 15h37
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Rafael Maia
Direto de Cartagena das Índias (Colômbia)

A canadense Research in Motion (RIM), fabricante do BlackBerry, anunciou nesta quarta-feira, em Cartagena das Índias, na Colômbia, o lançamento de dois aparelhos da grife BlackBerry, o Curve 9320 e o Curve 9220, especialmente para a América Latina. A ação faz parte do reposicionamento da companhia em um mercado em que o iOS, sistema operacional da Apple, e o Android, sistema operacional do Google, ganham espaço e se firmam como forças dominantes no planeta.

Curve 9220 e 9320 fazem parte do reposicionamento da empresa
Curve 9220 e 9320 fazem parte do reposicionamento da empresa
Foto: Divulgação

Para isso, a estratégia da RIM é pensar localmente para, assim, alcançar êxito global - algo que nem a Apple nem o Google fazem com seus sistemas operacionais, pelo menos não explicitamente. "A América Latina é o local onde a plataforma BlackBerry mais cresce no planeta, e onde ela cresce mais rapidamente", afirmou o vice-presidente sênior da RIM para a região, Rick Costanzo.

Costanzo se vale de um dado que dá fôlego à fabricante canadense no contexto brasileiro e dos países da região. De janeiro de 2011 a janeiro de 2012, o crescimento da plataforma de aplicativos App World, da BlackBerry, foi de 300%, contribuindo de forma eficaz no montante de 77 milhões de usuários BlackBerry no mundo.

A escolha dos dois dispositivos Curve, equipados com o sistema operacional BlackBerry 7.1 OS, para o mercado latino-americano, aliás, não é fruto do acaso. "Eles são aparelhos que privilegiam o acesso e a comunicação rápida, algo que faz muito sentido para os latino-americanos, além de oferecerem uma longa vida de bateria", ressaltou Costanzo, evidenciando, de acordo com ele, o sucesso do BlackBerry Messenger (BBM) e do sistema operacional BlackBerry 7 OS, aprovado para o uso, segundo normas rígidas de segurança, por governos da Austrália e da Nova Zelândia.

Por que um evento da BlackBerry na Colômbia?
Na América Latina, o país representa - social e mercadologicamente - o desafio da RIM não somente na região, como no planeta. A fabricante canadense - pelo exposto em Cartagena - parece muito pouco interessada em combater a (grande) fatia de mercado já conquistada pela Apple e pelo Google com seus sistemas operacionais, que são caros - principalmente no caso da Apple, em que um iPhone ultrapassa - e muito - dois salários mínimos brasileiros, por exemplo.

A RIM quer atacar os usuários que lutam para sair da pobreza. A Colômbia é um verdadeiro "player local", com 47 milhões de linhas de telefone móvel e com um crescimento estimado de acesso à internet por dispositivos móveis de quatro vezes nos últimos 3 anos. Há, no entanto, um abismo social destacado, com alta porcentagem da população na pobreza, sem acesso à internet.

De acordo com o ministro da tecnologia da Colômbia presente no evento, Diego Molano Vega, que cita uma pesquisa local feita com a população, as principais causas apontadas são o alto custo do acesso à rede e também dos computadores, principalmente daqueles destinados ao acesso móvel, como smartphones e tablets.

A tecnologia, portanto, precisa atuar no sentido de ajudar o desenvolvimento humano, fornecendo acesso à informação e o conhecimento "fácil", mas, também, criando novos postos de trabalho. No Chile, segundo o ministro colombiano, por exemplo, a penetração de 10% da banda larga diminuiu o desemprego em 2% nos últimos anos, ajudando a criar uma perspectiva social em que a, cada vez mais, mais pessoas tenham acesso às mesmas condições de mercado e de conhecimento que as pessoas mais ricas.

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Fonte: Terra
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