0

Alta demanda por impressoras 3D surpreende empresas brasileiras

Empresas brasileiras "sofrem" com alta demanda por impressoras 3D

1 nov 2012
14h43
  • separator
  • comentários
Guilherme Justino

No início, foi uma aposta. Acreditando que haveria procura no mercado por impressoras 3D de baixo custo, jovens empreendedores brasileiros lançaram iniciativas destinadas a conquistar um público ávido pelas novidades que estavam fazendo sucesso no Exterior. Apostando nesse interesse, procuraram o financiamento coletivo na internet ou arcaram com recursos próprios para botar em prática o projeto. A visão se confirmaria meses depois: a alta demanda compensou a necessidade do investimento inicial e permitiu a eles arrecadar mais do que o necessário para o início da fabricação. Hoje, essas empresas "sofrem" com o excesso de pedidos.

Infográfico: Como funciona uma impressora 3D? Veja passo a passo e conheça modelos

Essa história é comum a duas pequenas empresas brasileiras de impressão 3D. A Cliever , fundada em 2011, e a Metamáquina , criada este ano, são dois exemplos do crescimento desse setor. Apesar de ainda pouco conhecida do grande público, a impressão 3D tem utilidade reconhecida em diversas áreas, da saúde à moda, e expande seus horizontes a todo momento. Afinal, agora qualquer ideia pode se transformar em um objeto.

A impressão 3D atingiu seu ponto de virada: está migrando de um público restrito - os early adopters - para aquelas pessoas que apenas desejam imprimir algo bacana, muitas vezes fabricado ou idealizado por elas próprias. É um meio-termo entre a produção de massa e a customização dos objetos - esta muito valorizada pelos entusiastas da tecnologia, apesar de a complexidade dos itens fabricados ainda ser baixa. Mas, afinal, qual a utilidade de uma impressora 3D?

"Com ela, você pode fazer o que sua imaginação mandar", resume Rodrigo Krug, 26 anos, fundador da Cliever. Disponível no mercado desde julho pelo valor de R$ 4,5 mil, o primeiro lote de impressoras 3D prontas para uso está esgotado, com encomendas realizadas até o final de 2012. A pequena empresa, fundada em Porto Alegre, conta hoje com uma equipe de cinco pessoas. Seus principais clientes são empresas de pequeno e médio porte. "Aqui no Brasil ainda não havia muitas referências quando começamos, então nos focamos no mercado corporativo", ele afirmou ao Terra . Krug estima que haja 25 modelos de sua Cliever CL-1 em funcionamento no País - número que deve crescer para 100 ainda este ano.

Outra empresa que está arcando com o excesso de pedidos é a Metamáquina, sediada em São Paulo. Também com o objetivo de disponibilizar impressoras 3D de baixo custo no Brasil, os jovens Felipe Sanches, Filipe Moura e Rodrigo Rodrigues da Silva uniram empreendedorismo e ativismo para lançar a Metamáquina 3D neste ano. Eles venderam 30 máquinas em seis meses, têm encomendas até o fim de 2012 e planejam ampliar muito sua produção no ano que vem, de acordo com Rodrigo. O equipamento conta com hardware aberto e software livre - e o espírito colaborativo orienta toda a produção do grupo.

"Queremos mudar o paradigma, fomentar esse espírito de criar coisas em casa, de usar a impressão 3D para explorar diversas possibilidades. Com a opção de fabricar objetos por um preço que não é descomunal, estamos abrindo as portas para a Terceira Revolução Industrial", acredita Rodrigo. "Pelo preço de um bom microcomputador, você coloca nas mãos de uma pessoa o poder de criar", afirmou, em entrevista ao Terra .

Futuro
O otimismo não é apenas do empreendedor brasileiro. Conhecido como um teórico positivo, Chris Anderson crê que essas máquinas vão mudar o mundo. É dele a ideia de que o conceito da impressão em três dimensões representa o início de uma nova revolução industrial. Em breve - dentro de alguns anos - haverá impressoras 3D à venda no varejo por apenas US$ 99, segundo previsão de Anderson. Ele também editor-chefe da revista Wired , cuja edição de outubro destaca o modelo Replicator 2, da Makerbot Industries.

As previsões de Chris Anderson estão no livro Makers: The New Industrial Revolution , lançado no início deste mês nos Estados Unidos. O autor exalta a facilidade de manuseio da Replicator 2 ("não é preciso um fim de semana de luta com um software que faz o Linux parecer fácil") e seu design ("como Darth Vader dirigindo uma Super Máquina enquanto é transportado no ar por um avião espião Nighthawk"). Quase 13 mil impressoras 3D já foram vendidas pela Makerbot desde que a empresa foi fundada, no início de 2009. Atualmente, o cofundador da companhia, Bre Pettis, emprega 125 pessoas - trabalhadores que, para Anderson, estão "criando o futuro da indústria".

Iniciativas
Alguns eventos recentes têm divulgado a impressão 3D para um público mais amplo. O primeiro grande evento do setor no mundo, o 3D Printshow, foi realizado em Londres nos dias 20 e 21 de outubro com o tema "A internet mudou o mundo nos anos 1990. O mundo está prestes a mudar novamente". Reunindo mais de 70 expositores, entre grandes empresas e iniciativas recentes, a exposição abordou diversos aspectos da indústria: além da mostra de produtos, também houve discussões sobre o mercado, direitos autorais e o futuro da impressão 3D.

No Brasil, uma competição de design voltada para a impressão 3D começou a receber inscrições em setembro e continua aberta até o dia 8 de novembro. O Desafio 3D da Designoteca promove a ideia da customização, de produtos que, em geral, não são encontrados à venda, mas podem ser imaginados e criados por qualquer pessoa com uma dessas impressoras. É permitida a participação sem que haja limite na quantidade de designs enviados, e o vencedor leva uma impressora 3D, enquanto os cinco primeiros colocados ganham, cada um, um troféu personalizado - fabricado, é claro, por uma impressora 3D.

Terra

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade