Eletrônicos

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20 de setembro de 2011 • 11h19 • atualizado às 14h34

Arma do futuro só dispara quando reconhece dono legítimo

Arma eletrônica tem bobina que reconhece dono a partir de chip implantado sob a pele do usuário
Foto: Divulgação
 

Uma arma que permanece travada até identificar seu dono legítimo, a partir de um chip implantado na mão do mesmo. Esse é o projeto que o pesquisador Mário Gazziro, da Universidade de São Paulo, está desenvolvendo no Instituto de Física de São Carlos. Os testes do equipamento começaram em agosto de 2010, quando o professor implantou um chip sob a pele, na mão esquerda, já com a intenção de provar a eficiência da tecnologia que desenvolve.

O funcionamento da trava se dá por meio de uma bobina, dentro da chamada arma eletrônica. Com a proximidade do chip, ela reconhece o dono e fica hábil ao disparo em cerca de cinco milionésimos de segundo, o que o pesquisador considera como imediato. A única questão é que, por ser um circuito eletrônico, o dispositivo precisa estar carregado para destravar. "No momento, é estudada a montagem de um circuito que tenha capacidade para manter o funcionamento da arma por, no mínimo, uma semana, sem recarregá-la", revela Gazziro.

O uso dos chips subcutâneos já é consolidado em países como os Estados Unidos, em que o procedimento é autorizado pelo departamento de Alimentos e Drogas (FDA) desde 2004. "Lá, a inserção do chip é feita entre o polegar e o indicador, onde há menos terminações nervosas. Em nosso caso, esse local para o implante não é válido, pois o chip ficaria muito distante da bobina da arma, não possibilitando seu destrave", explica o pesquisador.

A arma eletrônica começou a tomar forma quando o Gazziro teve acesso a um chip de 9 milímetros por 1,2 milímetros, o menor modelo de uma empresa do setor, para a qual Gazziro trabalhou. Os chips, voltados a animais silvestres, funcionam também em humanos. "O chip vem dentro de um vidro, revestido por um material chamado parylene C, não rejeitado pelo organismo de animais e humanos. O local do implante - abaixo da pele, logo acima do músculo adutor do dedo mínimo - foi escolhido já se pensando em sua viabilidade para arma eletrônica", descreve.

Além de reconhecer o dono legítimo, a arma teria outras funcionalidades para ampliar a segurança do uso. "O intuito final do projeto é uma arma que, no momento do disparo, já registre local, horário e autor do tiro, inclusive com orientação da bala, informação que poderá ser fornecida se a arma possuir um giroscópio", planeja Gazziro.

Testes da parte mecânica do dispositivo devem ser feitos no final do ano, com apoio da Polícia Civil de Belo Horizonte. A chegada da tecnologia ao mercado ainda deve demorar, segundo o pesquisador, uma vez que "a última fase da pesquisa envolverá a esfera política, para aprovação de um projeto de lei que autorize o uso desse tipo de arma, levando-se em conta todas as suas consequências".

Clique aqui e veja um infográfico que mostra o policial brasileiro do futuro.

Terra