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11 de novembro de 2012 • 18h29

Estudo: pessoas com perda de visão leem mais rápido em tablets

Médico e professor, Daniel Rooth coordenou a pesquisa da Escola de Medicina Robert Wood Johnson
Foto: Divulgação
 

Os tablets podem ajudar a recuperar a rapidez e o conforto na leitura para pessoas com doenças que danificam a região central da visão. De acordo com um estudo, apresentado neste domingo no 116° Encontro Anual da Academia Americana de Oftalmologia, em Chicago, indivíduos com perda mediana de visão conseguiriam ler cerca de 15 palavras a mais por minuto em tablets.

No tablet, cuja tela emite luz de fundo, os participantes da pesquisa apresentaram as maiores velocidades de leitura, independente do nível de visão das pessoas em questão. Antes da existência dos aparelhos como o iPad da Apple e o Kindle da Amazon, pacientes com perda de visão usavam outros auxílios para a leitura, em especial lupas iluminadas - mas que não eram tão eficientes nem confortáveis quanto os gadgets.

De acordo com a Academia Americana, a perda da região central da visão afeta milhões de pessoas com doenças oftalmológicas como degeneração macular e retinopatia diabética. Essas patologias afetam os sensores de luz das células da retina, responsável por captar a imagem e mandá-la, através do nervo óptico, para o cérebro.

O estudo da Escola de Medicina Robert Wood Johnson, de Nova Jersey, os pacientes com a maior perda de visão - clinicamente definida de 20/40 ou pior em ambos os olhos - foram os que mais melhoraram a velocidade de leitura com o iPad e o Kindle. "Ler é um prazer simples que na maioria das vezes temos como garantido, até que a perda de visão complica a situação. Nossas descobertas mostram que com um custo relativamente baixo, tablets podem melhorar a vida das pessoas com perda de visão a ajudá-las a reconectar-se com um mundo maior", diz o médico e professor Daniel Roth, coordenador da pesquisa.

Todos os pacientes estudados, independente do nível de perda de visão, apresentaram melhoras na velocidade de leitura: em média 12 palavras a mais por minuto no aparelho da Amazon e 18 palavras a mais no eletrônico da Apple. Os pesquisadores acreditam que a diferença entre os resultados de cada tablet para pacientes com perda de visão mediana está na iluminação de fundo, presente no iPad e ausente na versão original do Kindle usada no estudo.

Segundo eles, o fator envolvido na dificuldade de leitura é a sensibilidade ao contraste, o que significa identificar um objeto destacado do fundo, identificando tons de cinza. O alto contraste entre palavra/fundo da página no aparelho com iluminação própria seria uma grande ajuda para os pacientes. Em ambos os casos os textos estavam em fonte tamanho 18.

O estudo ainda observou o conforto dos pacientes com baixa visão durante a leitura usando tablets. Entre os com a visão pior, o iPad foi o favorito, enquanto os que tinham menos dificuldades preferiram ler o texto impresso em papel.

Terra