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11 de maio de 2012 • 06h40 • atualizado às 09h11

Sem concorrentes no horizonte, novo iPad é aposta segura

Nitidez da tela "retina" é destaque do aparelho chega nesta sexta-feira ao País
Foto: AFP
 
Leopoldo Godoy

Vamos direto ao que a maioria das pessoas quer saber: e esse novo iPad aí, o da tela com resolução maior, vale a pena? Também sem enrolar: vale. Há, é claro, um longo processo de decisão de compra entre essa constatação e a hora de entregar o cartão de crédito ao atendente do caixa, e discutiremos isso mais pra frente, mas é bom deixar claro que, no momento, não há no mercado nenhum aparelho portátil - seja tablet, notebook, netbook, seja lá qual for o formato escolhido - que reúna tantas qualidades quanto o modelo da Apple que chega enfim ao Brasil nesta sexta-feira (com preços a partir de R$ 1.549 para o modelo de 16 GB e wi-fi, sem conexão via celular).

Se você já leu sobre o novo iPad, deve ter cansado de ver a palavra "tela": não dá para fugir disso, é a característica que mais chama a atenção e, não à toa, é a mais destacada no material promocional da própria Apple. De fato, o iPad não é muito mais do que uma tela (e duas câmeras, uma frontal para fazer videochamadas e uma traseira capaz de tirar fotos de 5 megapixel e gravar vídeos em resolução HD, com 1.080 linhas de resolução), mas há um mérito em ser "apenas" uma tela, em oposição a máquinas repletas de conexões, periféricos, teclas, ajustes, configurações, etc. O iPad é talvez o computador mais simples já criado. E ao fazer menos, acaba fazendo melhor e para mais pessoas.

Ver fotos e ler livros? Se o modelo anterior já era melhor que um PC para essas tarefas, o novo parece ter sido criado para isso. A nitidez da tela "retina" faz com que as letras fiquem tão claras como as melhores impressões em papel. A reprodução das cores também evoluiu. E, com aplicativos de uso bem mais intuitivo do que os programas tradicionais de computador, tarefas como editar vídeos e montar um álbum de fotografias das férias deixam de ser frustrantes.

Em termos de velocidade, não há um salto como o ocorrido entre a primeira e a segunda geração do iPad. O novo processador A5X, com quatro núcleos gráficos, é mais poderoso que o modelo utilizado no iPad 2, mas a "força" extra é utilizada para produzir imagens com maior resolução, mais exigentes. É como se você colocasse um motor mais forte em seu carro, mas o obrigasse a levar mais carga no porta-malas. Mas o iPad 2 já oferecia uma navegação suficientemente fluida, sem a sensação "arrastada" existente em outros tablets.

No Brasil, não vamos usufruir de uma das evoluções técnicas do novo modelo: o acesso às redes de dados via celular LTE, de quarta geração (4G). O padrão ainda não foi implementado no Brasil, e mesmo quando for, utilizaremos uma frequência diferente da adotada nos EUA e disponível no iPad. Em teoria, o aparelho atingiria velocidades de até 72 Mbps em 4G. Na prática, mesmo nos Estados Unidos, as operadoras anunciam que conseguem chegar a 12 Mbps. Mas mesmo sem 4G, o novo iPad terá melhor velocidade para usuários que moram em cidades já servidas pela tecnologia HSPA+, evolução das redes 3G atuais. Em São Paulo, por exemplo, a Vivo anuncia conexão sem fio de até 6 Mbps, com média de 3 Mbps. O iPad 2, de 2011, não é compatível com a tecnologia.

Novo iPad chega mais pesado
Há problemas também, mas a maioria é minimizada pela ausência de concorrentes fortes no cenário de tablets. Quando o responsável pelo principal concorrente do sistema da Apple, o Google Android, declara que o mercado de tablets é um "nicho", fica fácil entender por que a Apple pode se dar ao luxo, por exemplo, de lançar um modelo mais espesso e pesado do que o vendido no ano anterior, sem temer perder o controle do "nicho" onde já vendeu 67 milhões de aparelhos em dois anos.

Com a nova tela, capaz de exibir imagens mais nítidas, um processador mais veloz e rede de acesso 4G, o iPad novo gasta muito mais energia do que o modelo anterior. Como fazer com que a bateria continue durando 10 horas? A Apple não esperou a tecnologia amadurecer a ponto de deixar a mudança imperceptível para o consumidor: colocou uma bateria maior no novo modelo, que é mais gordo e mais pesado que o iPad 2. A diferença é pequena, mas aparente. E vai na contramão do que a Apple costuma fazer no processo de evolução de seus produtos.

O mesmo pecadilho jamais poderia ser cometido com o iPhone, que precisa enfrentar bons celulares com Android como a linha Galaxy, da Samsung. Houvesse um bom tablet da fabricante sul-coreana, ou se os aparelhos com o novo Windows RT estivessem no mercado (só devem chegar no final do ano, e ainda são uma incógnita em termos de desempenho), talvez a Apple tivesse aguardado a evolução necessária na tecnologia da bateria para só então colocar a tela de alta resolução nas mãos do consumidor. É especulação, claro, mas sacrificar tamanho pela manutenção do tempo da bateria com a nova tela foi uma decisão que em algum momento os engenheiros da Apple precisaram tomar.

Existe um upgrade na linha de sucessão do iPad?
Apesar destes pequenos pontos negativos, a evolução do novo iPad para a versão anterior não é desprezível. Isso não significa que quem está feliz com seu iPad 2 deva considerar imediatamente a troca, a não ser que o custo do upgrade não pese em seu orçamento. Se você for vender ou passar para frente seu aparelho atual e a diferença para a compra do novo aparelho não pesar no seu bolso, aí sim é interessante.

E não há reticência alguma em recomendar o produto para quem está atrás de seu primeiro tablet. A não ser, é claro, que você faça parte do crescente grupo de pessoas que se nega a ter um produto da Apple, um movimento análogo ao dos que, nas décadas de 80 e 90, compravam qualquer produto lançado pela empresa de Steve Jobs. Para quem toma decisões mais racionais, o novo iPad precisa entrar na lista de finalistas de qualquer análise de compra. E bem à frente das outras opções.

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