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28 de abril de 2011 • 11h32 • atualizado às 14h09

Cinema em 4D promete novas sensações que vão além do 3D

O diretor francês Luc Besson iniciou no parque Futuroscope uma atração em 4D inspirada no universo animado de seu filme 'Arthur e os Minimoys'
Foto: EFE
 
Violeta Molina Gallardo

A aventura do cinema começou com a clarividência - em duas dimensões e preto e branco - dos irmãos Lumière. Desde então, a sétima arte trouxe ao homem a possibilidade de entrar em mundos alheios e viver emoções desconhecidas. Mas a imersão do espectador nas histórias, até há pouco totalmente dependente da qualidade dos roteiros e da atuação dos intérpretes, ganhou outras feições com o avanço da tecnologia, especialmente com o aperfeiçoamento das três dimensões.

O sucesso de Avatar, o filme de maior bilheteira da história com uma arrecadação de US$ 2,7 bilhões, constata que a fórmula estereoscópica tem futuro. De fato, os grandes estúdios cinematográficos se lançaram com entusiasmo à produção de filmes em 3D.

Um novo universo sensorial
E essa febre por experimentar em primeira pessoa a ação de um filme, sendo mais que um simples espectador passivo, levou algumas redes de cinemas a ressuscitar a chamada quarta dimensão, que consiste em acrescentar ao 3D a estimulação sensorial, além da visão e da audição. Assim, graças a alguns dispositivos especiais, o espectador pode perceber cheiros sintéticos, sentir na pele efeitos climatológicos como vento, chuva e nevoeiro, ou crer que está presente em uma explosão como consequência de efeitos avançados de luz e de som. Além disso, a essa combinação podem ser acrescentados assentos articulados que movimentam o espectador ao ritmo da ação mostrada na tela.

Um adicional para aumentar a sensação de imersão na história que alguns especialistas consideram parte integrante das quatro dimensões e outros vão além, afirmando que constitui a sexta dimensão no cinema. A rede de exibição CJ-CGV embarcou na aventura de adaptar "Avatar às quatro dimensões e mostrou o resultado de meses de trabalho em várias salas de cinema da Coreia do Sul - anteriormente já tinha testado com Viagem ao Centro da Terra. Apesar do preço da entrada ser o triplo em relação ao valor do passe convencional, o sucesso foi imenso.

Um começo tímido
O começo das quatro dimensões no cinema está sendo tímido, em parte porque requer um grande investimento para acondicionar as salas e adaptar os efeitos aos filmes e em parte porque a indústria é reticente a adotar mudanças radicais. Também é preciso levar em conta que a experiência em 4D não é do gosto de todos: a sensação pode ser tão envolvente que o espectador pode chegar a sofrer enjôos, como aconteceu entre grande parte do público que assistiu à projeção em quatro dimensões de um documentário sobre a vida marinha no National Sea Life Centre de Birmingham (Reino Unido).

As quatro dimensões não são uma novidade, como não o era também a tecnologia estereoscópica quando começou seu "boom" cinematográfico, só que as melhorias no sistema estão motivando seu ressurgimento. Há anos, espaços interativos de parques de atrações, zoológicos e outros centros de lazer estão trabalhando com elas.

Inclusive, há exemplos de sinergias entre cinema e atrações em 4D. O cineasta francês Luc Besson foi notícia no início de 2010 por ter projetado uma para o Futuroscope, o parque situado em Poitiers (França). O diretor aproveitou a estreia de seu filme de animação Arthur et la vengeance de Maltazard para iniciar uma atração em 4D, inspirada no universo animado de "Arthur e os Minimoys", que custou 6 milhões de euros (cerca de US$ 8 milhões).

Sem se movimentar de seu assento, mas sim nele, o participante desta atração se vê imerso em uma corrida frenética na qual se esquiva de ratos gigantes, fica preso em uma teia de aranha, é roçado pela língua de uma rã e impulsionado por túneis e precipícios.

Uma quarta dimensão alternativa
Este desdobramento tecnológico não satisfaz a todos: seus críticos e os puristas da sétimo arte alegam que estes avanços desvirtuam a magia do cinema, que sempre deve se sustentar em um bom roteiro e uma atuação envolvente.

A eles talvez lhes seduza mais a proposta de quatro dimensões cunhada pela cineasta e atriz de comédia italiana Sabina Guzzanti. Sabina filmou um documentário crítico com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, no qual relacionava os escândalos da classe política desse país com o terremoto que sacudiu a localidade do L'Aquila, na região de Abruzos em 2009.

A cineasta assegurou que o filme constituía um exemplo de "cinema em 4D", uma expressão na qual o D significa democracia, já que pediu aos leitores de seu blog que escolhessem o título da obra: Draquila, L'Itália che trema ("Draquila, a Itália que treme") foi o eleito.

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