Tecnologia

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03 de outubro de 2011 • 14h25

Inglaterra: conta de luz sobe por causa de gadgets e eletros

Notebooks e tablets estão entre vilões do consumo de energia nos lares britânicos
Foto: Energy Saving Trust / Reprodução
 

O uso de múltiplos gadgets, como notebooks e tablets, fez as contas de energia elétrica dos consumidores ingleses subirem, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo The Guardian. E mesmo que tomem outras atitudes ecológicas, como desligar da tomada aparelhos em stand-by e apagar as luzes em cômodos vazios, os britânicos ainda correm o risco de não atingir a meta de redução de 34% da emissão de carbono por uso de eletricidade estipuladas até 2020.

De acordo com o relatório da Energy Saving Trust, organização independente do Reino Unido, nos últimos cinco anos os aparelhos eletroeletrônicos que mais consumiam energia tiveram a tecnologia aprimorada para precisarem de menos eletricidade. "Mas ainda temos um longo caminho a seguir no que diz respeito a nosso gadgets e equipamentos de entretenimento doméstico, que estão gastando mais e mais energia", aponta Paula Owen, autora do estudo, intitulado The Elephant in the living room (O elefante na sala, em tradução livre).

A vilã do espaço de estar da casa, segundo a pesquisa, seria a televisão de tela plana, enquanto o freezer 600 litros faz o papel de carrasco da energia na cozinha. Tablets e computadores pessoais também entram na lista de malfeitores. Entre 2000 e 2009, por exemplo, a eletricidade consumida por PCs nas casas inglesas mais que dobrou, e o número de equipamentos subiu de 30 mil para 65 mil. Roteadores sem fio ligados 24 horas por dia, máquinas de secar roupa, e lâmpadas incandescentes de 50 W completam a relação dos dispositivos que mais fazem as contas de luz e as emissões de carbono aumentarem na Inglaterra.

"A pessoas nunca compram um carro sem antes saber quantos quilômetros faz por litros, mas elas compram eletroeletrônicos sem saber o quanto vão gerar de custo na conta de luz depois", comenta Paula, pontuando o aumento crescente que o preço da energia elétrica tem sofrido. "Continuaremos achando formas de nos entreter com as novas tecnologias, e isso é louvável, mas as pessoas precisam pensar sobre o que compram, se elas precisam do gadget e como elas usam o aparelho", contrapõe. Para a autora do estudo, um caminho possível para ajudar na redução de consumo e de emissões seria dar informações para que os consumidores façam escolhas mais conscientes.

A média de gadgets por lar no Reino Unido cresceu cerca de 350% entre 1990 e 2009, de acordo com o estudo. Só entre 1970 e 2006, segundo outro relatório da Energy Saving Trust, a média de eletrodomésticos por casa já havia triplicado. A energia consumida por bens de consumo eletrônico também apresentou alta: 600% entre 1970 e 2009. Entre 1970 e 2002, o consumo de eletricidades dos lares britânicos dobrar.

Os dados evidenciam da pesquisa divulgada nesta segunda-feira apontam, ainda, que o consumo doméstico de energia responde por um terço das emissões de carbono de todo o país. Mas muito progresso foi feito, destaca Paula, citando como exemplo a gradativa substituição das lâmpadas quentes pelas frias - que deve ser um dos carros-chefes na diminuição da pegada de carbono do Reino Unido até 2020 - e as tecnologias que ampliaram a eficiência energética das geladeiras, antigas vilãs da conta de luz. Para o futuro, os notebooks - que consomem cerca de 15% menos energia do que os modelos desktop - poderiam estar entre os pivôs da redução de consumo, se a expectativa de que o número de portáteis triplique até 2020 se confirmar.

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