Lonise Gerstner

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Triple play no quarto da minha filha

Lonise Gerstner *

Minha idéia inicial era escrever sobre a rapidez como as coisas evoluem e as vezes fogem até ao nosso controle... Há algum tempo atrás escrevi uma coluna e até criei uma comunidade sobre colocar ou não computador nos quartos das crianças... Preciso me confessar publicamente: sucumbi aos apelos da minha filha e ela está com seu computador na sua mesa. De certa maneira a casa está ainda se adaptando à esta nova rotina... Ela baixa os episódios japoneses (Naruto) diariamente, então de certa forma o computador é uma mistura de TV, telefone (VOIP, comunidades e messenger) e internet...

Estive dois dias imersa no TeleViva ouvindo as discussões sobre o triple play e quad play. E me dei conta que é por aí mesmo... Minha filha tem um triple play no quarto dela... Só que a TV a cabo dela são os filmezinhos japoneses que ela só acha na grade de programação da internet... Ou seja, ela faz sua própria grade de programação, coisa que só a internet permite.

Por algumas horas discutimos sobre a mudança da entrega de conteúdo, seja na forma de audio ou vídeo. Ou seja, como antes comprávamos música em cassetes, depois vinil, depois CDs e depois começamos todos a piratear, ainda que sem saber que estávamos pirateando, tudo pela internet. E como estamos todos agora entrando na era de combater esta pirataria que acaba por inibir a criação, visto que não remunera os artistas. Por outro lado surgem novos talentos mais facilmente, divulgando-se através da nova mídia que é a internet. DRM = Digital Rights Management. Mecanismos tecnológicos que permitem o download de audio e vídeo com autorização, mediante pagamento. A Apple foi precursora com seu iPod e seus itunes. Agora o padrão aberto de DRM está aparecendo em várias iniciativas já no Brasil. A previsão é que ainda este ano veremos muitas iniciativas de venda de música e conteúdo legalmente controlados e portanto com todas as garantias e qualidade que ainda faltam. Tanto na modalidade streaming como download.

A apresentação da KTF da Coréia e os dados da TV Digital móvel já implementada no seu país, seguida pela discussão entre as nossas operadoras brasileiras e nossas radiodifusoras foram muito ricas. Não se discutia mais se alguém vai ou não vai assitir TV pelo celular, mas sim qual o modelo de negócios que seguiremos: se será paga, sustentada pela publicidade, ouvi até que em 5 anos todos que ali estavam estariam assistindo TV pelo celular. Ou seja, une-se a mobilidade do celular aos conteúdos. A mobilidade, o quarto pilar deste tripé.

E teve a discussão dos games na internet e no celular. Na real nos dois: a garotada vai atrás daqueles conteúdos que estiverem acessíveis em qualquer meio. Os jogos continuam nos celulares, as programações mais urgentes também. Um dispositivo conectado com o outro. Teve até o exemplo que o coreano apresentou de um programa na TV digital móvel que permite que o usuário entre, através do celular, no website de um dos personagens. Enfim, novamente uma revolução acontecendo e a consciência de todos os presentes que temos que fazer as escolhas certas neste momento, pois a discussão vai além de qual padrão adotaremos, mas como será a relação entre as operadoras de telefonia (fixa e móvel) e as radiodifusoras do país. Temos um grande desafio pela frente e espero que tenhamos a maturidade que o país precisa para tomar as decisões corretas e mesclar de maneira inteligente a capacidade criativa do nosso país com modelos de negócios que permitam o desenvolvimento tecnológico essencial para levar a toda população as maravilhas da liberdade de acesso aos conteúdos.

Ah... Me dei conta que o computador da minha filha é também o "toca-fitas" que eu tinha no meu quarto na minha época de adolescência... Enfim, até agora não me arrependi de ter colocado o computador lá, mas fazem apenas duas semanas. Prometo manter vocês informados. Até porque fiquei mais tranquila, porque a mobilidade vai tirar ela do quarto sim. Teremos acesso ao que quisermos (isto a internet já nos dá) e onde quisermos (isto a convergência com a mobilidade - quad play - vai nos trazer).

* Lonise Gerstner é autora dos livros:
Paralelo 30 - crônicas do cotidiano digital - à venda na Livraria Cultura, Saraiva, Submarino e Amazon e
Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras - antologia internacional - à venda na Livraria Asabeça

Redação Terra

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