"Nosso objetivo é criar um ponto de acesso multilíngüe para toda a herança cultural européia", explicou a comissária de Sociedade da Informação e Mídia, Viviane Reding.
"A biblioteca permitirá, por exemplo, que finlandeses encontrem e usem livros digitais e imagens de bibliotecas, arquivos e museus da Espanha, ou que um alemão encontre na rede material filmográfico histórico da Hungria".
Com acesso aberto para todo o mundo, a Biblioteca Digital Européia também permitirá que os brasileiros consultem, sem sair do país, jornais alemães da época da Segunda Guerra Mundial ou manuscritos portugueses sobre o descobrimento do Brasil, por exemplo.
"Maior acervo digital"
Esta semana os países europeus foram convocados a estabelecer centros de digitalização em grande escala e a começar a digitalização das obras de todas as bibliotecas nacionais. Em 2007, o processo deverá ser estendido aos arquivos e museus.
A UE espera contar com dois milhões de obras digitalizadas até o início de 2008, quando o acervo inicial estará disponível.
Esse número deve chegar a seis milhões em 2010 e a idéia dos criadores do projeto é que não pare de crescer "já que, então, potencialmente todas as bibliotecas, arquivos e museus da Europa, além de instituições culturais e o setor privado, poderão compartilhar seus acervos online com a Biblioteca Digital Européia", segundo Reding.
A comissária aposta que esse será "o maior acervo de obras digitalizadas do mundo".
Direitos autorais
O que ainda não está claro é se o acervo da Biblioteca Digital contará com materiais publicados recentemente. "Isso dependerá de acordos que poderão ser estabelecidos com editores e autores. Temos que estudar uma forma de disponibilizar na internet as obras vinculadas a direitos autorais", afirmou Martin Selmayr, porta-voz da comissária Reding.
Desses possíveis acordos também dependerá a decisão de permitir que a consulta seja gratuita. De acordo com Selmayr, "seguramente não se cobrará pelas consultas a obras de domínio público, ou seja, materiais que já não são cobertos por direitos autorais".
O projeto custará aos bolsos europeus entre 200 milhões e 250 milhões de euros (entre R$ 556 milhões e R$ 696 milhões) em quatro anos, um custo que será dividido entre os 25 membros da UE. A Comissão Européia contribuirá com 60 milhões de euros.
Para a UE o investimento vale a pena: "Uma vez digitalizada, nossa herança cultural também poderá ser utilizada como base para novos projetos criativos e para uma série de produções e serviços culturais. Poderá, por exemplo, ter um papel importante no futuro crescimento de setores como educação e turismo", garante Selmayr.
A página da Biblioteca Digital Européia na internet já está pronta (www.theeuropeanlibrary.org/portal/index.html), mas atualmente funciona apenas como um portal para os catálogos digitais de algumas bibliotecas do continente.
BBC Brasil
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