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Terça, 3 de outubro de 2006, 11h52

Cura de lesões exige auxílio de especialistas e disciplina

Há cerca de cinco anos, quando começou a sofrer da síndrome da vista cansada, a assessora de comunicação Solange Ramos, 28 anos, não podia sair de casa que logo surgia alguém para perguntar: "Mas o que houve, minha filha? Por que você está chorando?". Ela respondia que a vista lacrimejante era decorrente das muitas horas de trabalho na frente do monitor do computador.

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    "Hoje em dia, não sento mais para trabalhar sem levar meus colírios junto. Um deles serve para lubrificar a vista e o outro, como anestésico, quando ela está muito irritada. Além disso, não abro mão do meu protetor de tela, que reduz o esforço visual. Dor de cabeça e ardência na vista, nunca mais", avisa Solange, que calcula trabalhar uma média de 10 horas por dia.

    O oftalmologista Yoshifumi Yamane aconselha que outras medidas de prevenção sejam tomadas, como por exemplo manter o monitor um pouco abaixo da linha dos olhos. Com isso, o olho pisca mais e diminui o risco de ressecamento. "O ambiente e as condições de trabalho, como ar-condicionado muito forte e luz inadequada, também interferem de maneira significativa na superfície ocular. Não é recomendável, por exemplo, trabalhar em ambientes com pouca luminosidade porque isso força mais a vista do usuário", alerta.

    Modelos ergonômicos

    Além de preocupações básicas com o ambiente e as condições de trabalho, o ortopedista Moacyr Pinheiro Júnior diz que o usuário tem de estar atento ao mouse e ao teclado do computador. Ele ressalta que modelos ergonômicos são projetados justamente para promover mais conforto ao usuário e minimizar o risco das lesões. "Problemas ortopédicos dessa natureza podem ser tratados. Raramente, eles são irreversíveis. Isso só acontece quando o paciente chega ao consultório já nos num estágio avançado do problema. Nesses casos, o procedimento é cirúrgico", observa Moacyr. "Antes de chegar às últimas conseqüências, o tratamento mais usual é feito à base de remédios e fisioterapia".

    Ioga é possível saída para dores constantes

    A professora de ioga Magda Moraes calcula que 40% dos alunos que freqüentam sua academia são portadores de algum tipo de lesão ortopédica. Ela afirma que exercícios simples, como girar os punhos, movimentando as articulações, e abrir e fechar a mão, esticando bem os dedos, ajudam a prevenir lesões por esforço repetitivo. "O fato de o usuário ficar muito tempo na mesma posição é altamente prejudicial à saúde. As queixas mais comuns são de dores nas costas, nos ombros e na cervical. Já atendi gente até com hérnia de disco", afirma.

    A estudante de Direito Maria Carolina de Oliveira Falcão, 25 anos, é uma das muitas que procuraram na ioga a cura para suas dores nas costas. Há seis meses freqüentando as aulas, garante que o benefício foi imediato. "O pior é que eu não sentia apenas dor nas costas. Logo ela se irradiava para os braços e a cabeça. Já tentei de tudo. Se pudesse, teria alguém 24 horas fazendo massagem nas minhas costas", brinca ela.

    O Dia

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