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Tecnologia

 
 

Analista: queda de YouTube é questão de tempo

06 de outubro de 2006 13h47 atualizado às 14h46

Josh Bernoff, analista da firma Forrester Research, afirmou que o popular site de vídeos YouTube não demorará muito tempo para ser confrontado legalmente por trazer conteúdo que viola direitos autorais da indústria do entretenimento.

A opinião, descrita em um artigo intitulado "YouTube Is Goin' Down" (na tradução, algo como "YouTube está caindo"), traça um paralelo com o pioneiro programa para troca de MP3 Napster, primeiro software a enfrentar a ira da RIAA, organização que protege os interesses da indústria fonográfica. Apesar de ter função diferente da do Napster, filosoficamente os sites são similares, já que o YouTube proporciona aos usuários a possibilidade de disponibilizar videoclipes gratuitamente para visualização e, através de programas gratuitos, até mesmo download.

Recentemente o YouTube tem crescido enormemente por permitir que seu público disponibilize praticamente qualquer conteúdo, mesmo que estes tenham direitos reservados, sem fazer uma triagem prévia. "Eu não acredito que eles possam se esquivar de um processo e manter a popularidade", declarou Bernoff, que acredita que se o site adotasse uma política de moderação de conteúdo, seria menos divertido e perderia boa parte de sua base de visitantes.

Alternativas legais que impedem que conteúdo registrado seja colocado no ar já começaram a surgir na internet, embora com público tímido e pouca divulgação, como é o caso do Revver (revver.com), lançado em fase beta há pouco mais de um mês, e que revisa os conteúdos submetidos antes que eles sejam publicados no ar, além de possuir anúncios que são disponibilizados antes de cada vídeo e permite, entre outras coisas, dividir lucro com provedores de conteúdo.

De acordo com o site InformationWeek , nos primeiros dias de submissão de vídeo, o site Revver tinha cerca de 80% de seu conteúdo ilegal, mas atualmente o número caiu para 20%, já que agora os usuários começaram a entender o que é ou não aceitável no serviço.

O YouTube conta com um sistema de denúncia de violação de copyright, que permite que os detentores do direito de trabalhos visual peçam para que conteúdos registrados colocados sem autorização sejam retirados do ar. Acordos com gravadoras como a Warner Music permitiram ampliar ainda mais a base legal de videoclipes existentes no serviço, o que contribui ainda mais para a popularidade do mesmo e, segundo o analista, teriam atrasado uma possível ação contra o site.

"Eu acredito que as companhias de mídia querem ver se podem chegar a algum acordo como a Warner", explicou Bernoff, que disse que bastava apenas que uma delas abrisse um processo para que o site começasse a entrar em declínio. A Universal Music pode ser a primeira, já que o chefe executivo Doug Morris afirmou que acredita que o site deva, só de direitos de seus artistas, US$ 10 milhões por divulgar vídeos e outros conteúdos registrados de seus artistas.

A violação de direitos autorais também impede que o site atraia bons anunciantes, que não gostariam de ter suas marcas associadas a conteúdo ilegalmente divulgado. Mark Cuban, investidor bilionário e co-fundador da HDNet, teria dito a um grupo de anunciantes no mês passado que esperava que a empresa fosse "processada até cair no esquecimento", e que apenas um idiota compraria a empresa, dada as violações de copyright em que está envolvida.

Para Bernoff, a melhor maneira para que o YouTube sobreviva a longo termo é tomar a iniciativa e remover todo o material que viole os direitos de artistas e gravadoras, além de trabalhar com seus usuários a fim de instruí-los quanto ao tipo correto de conteúdo a ser inserido no sistema, o que, mesmo ocasionando uma debandada de usuários, permitiria manter significativa parte de sua base, fato mais difícil de alcançar se o site saísse do ar para depois ser relançado.

Segundo o site News.com, hoje o YouTube possui cerca de 16 milhões de visitantes mensais. A versão original do artigo do analista da Forrester Research pode ser acessada através do atalho snurl.com/xysh.

Reuters
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