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Teste: Sony Reader é passo adiante em leitura de livros eletrônicos

09 de outubro de 2006 16h03

Leitor de livros eletrônicos da Sony permite mudar o tamanho das letras. Foto: Divulgação

Leitor de livros eletrônicos da Sony permite mudar o tamanho das letras
Foto: Divulgação

Os livros têm estado órfãos no mundo digital. A música tem o iPod. o vídeo tem o YouTube. Livros têm, bem, a Amazon.com, onde você pode comprá-los em papel. Claro que existem livros eletrônicos disponíveis para download na Amazon e em muitos outros lugares, mas a moda nunca pegou. A Sony está apostando neste problema com o lançamento do primeiro leitor de de e-books que imita um livro de papel, usando tecnologia inovadora.

Seria este o iPod dos livros? Quase. Mas é um passo adiante.

O Sony Reader é um dispositivo do tamanho de um livro, mas com apenas 1 cm de espessura. O aparelho começou a ser vendido por US$ 350 no site da Sony na quarta-feira. A tela de seis polegadas pode parecer à primeira vista um monitor LCD monocromático, mas em uma observação mais detelhada pode-se ver que é diferente de qualquer outra coisa no mercado. Apesar de ficar atrás de uma fina camada de vidro, não mostra "profundidade" e parece um papel cinza com texto.

A tela, baseada em tecnologia da E Ink Corp, oriunda do MIT, é composta de pequenas cápsulas com partículas pretas e brancas carregadas com cargas elétricas. Quando uma descarga de energia estática é aplicada em um lado do cápsula virada para a tela, atrai partículas brancas na tela, fazendo com que o pixel fique cinza. Revertendo a polarização faz com que as partículas pretas sejam atraídas e o pixel fique cinza escuro.

Como o papel, a tela é legível de qualquer ângulo, mas ainda não é igual ao livro de verdade, principalmente por causa do contraste. O fundo não é tão branco e as letras não são tão pretas. As letras ainda são um pouco serrilhadas, apesar da resolução ser de um 800x600 respeitável. O leitor mostra fotos, apesar de parecerem fotocópias monocromáticas.

Mas ainda assim é uma mídia mais confortável de leitura que outros dispositivos eletrônicos. O texto é de fácil assimilação aos olhos e em quase qualquer luz é possível ler. Outra grande vantagem da tela é que economiza muita energia. A Sony diz que um Reader com carga maxima pode mostrar até 7,5 mil páginas, uma quantidade impressionante, que infelizmente não tive tempo para testar.

A razão desta economia é que a tela consome força apenas na troca da página. Mostrar sempre o mesmo tempo não consome energia nenhuma. A memória interna do leitor é capaz de armazenar até 100 livros, dependendo no seu tamanho. A memória pode ser expandida com cartões SD ou Memory Stick.

Para carregar livros, conecte o Reader com o cabo a um computador com Windows e use o software que acompanha o aparelho. Você pode transferir documentos Words ou PDF para o leitor, baixar feeds de blog ou comprar e-books na loja online da Sony. O dispositivo também toca mp3 e livros em áudio.

A loja da Sony ainda não está funcionando, então não pude testá-la, mas a interface lembra bastante a loja iTunes. A loja deve começar com 10 mil títulos no lançamento, de acordo com a Sony, com títulos famosos da HarperCollins, Simon and Schuster e Penquin-Putnam. Os valores dos livros não serão muito diferentes dos e-books, o preço será de cerca de US$ 1 a mais que nas prateleiras.

O Reader seria o companheiro perfeito para quem lê muito, se não fossem alguns probleminhas.

Probleminhas

Primeiro é a navegação que é atrapalhada. Você não pode colocar o número da página e pular direto para ela ou buscar por palavras, como com e-books no computador. Para navegar existem 10 botões que lhe levam até um décimo do caminho. Você pode pular capítulos ou ir direto para favoritos. Ainda assim, é um dispositivo feito para ler um livro direto de cabo a rabo.

A falta de interatividade é em parte por causa da tela que muda lentamente. Leva cerca de um segundo para mostrar uma nova página. Isso quer dizer que ficar folheando as páginas sem fazer favoritos é bastante cansativo. Em Segundo lugar, e menos importante, é que o Reader não lida muito bem com PDFs. Dar zoom é impossível, então se o documento está formatado no padrão de 8,5"x11", o texto estará ilegivelmente pequeno.

Teceiro, o Reader não tem fonte de luz embutida, ao contrário de PCs e PDAs. Uma pequena luzinha, daquelas feita para livros funciona bem. Por causa destas falhas, é difícil considerar que o Reader sera um estouro no mercado. Mas merece uma atenção melhor do que aqueles leitores pequenos em LCD que apareceram há alguns anos, muitos descontinuados.

Outra competição vem dos telefones celulares e PDAs, mas nenhum é capaz de competir com o tamanho da tela, legibilidade e tempo de bateria. Laptops, Tablet PCs e UMPCs tem o mesmo tamanho de tela, mas são mais pesados, mais caros e levam mais tempo para carregar, além de suas baterias durarem menos.

A verdadeira competição então será com livros impressos, que até agora têm derrotado seus adversários digitais, que tem a melhor "bateria" e qualidade da "tela". A Sony terá que fazer melhor do que isso para começar a salvar as árvores.

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