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Tecnologia

 
 

YouTube ganha asas após compra pelo Google

10 de outubro de 2006 10h10 atualizado às 17h27

O popular site de vídeos YouTube passou o ano inteiro envolvido em um jogo de gato e rato com empresas interessadas em comprá-lo, mas cedeu diante da oferta de US$ 1,65 bilhão apresentada pelo Google. A decisão pela aceitação do negócio também foi influenciada pelos recursos do Google e das garantias de independência oferecidas pela empresa, disse Chad Hurley, presidente-executivo do YouTube, em entrevista.

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  • "Estávamos interessados em manter a independência", disse Hurley, 29, ainda que fontes houvessem mencionado que ele esteve envolvido em numerosas negociações com potenciais compradores, entre os quais o Yahoo e a Microsoft, além de gigantes do setor de mídia.

    O que convenceu Hurley e seu parceiro no YouTube, Steve Chen, 27, sobre a proposta do Google foi a crença em que os recursos e o talento da empresa no setor de engenharia os ajudariam a atingir a meta de prover aos usuários a mais agradável das experiências de vídeo online, afirmou Hurley. "Agora temos por trás de nós os recursos do Google, para ajudar a realizar nossa visão", afirmou, recusando-se a informar quantas ações do Google ele e seu sócio receberão com o negócio.

    O YouTube manterá sua marca e sua sede separada -no que nunca tinha acontecido nas muitas aquisições realizadas pelo Google. Isso, somado ao preço elevado da transação, indica até que ponto a empresa se tornou importante no setor de mídia.

    O YouTube distribui mais de 100 milhões de vídeos ao dia a internautas do mundo todo. Cerca de 72 milhões de pessoas visitam o site da empresa a cada mês, de acordo com dados da comScore, que audita audiências de Internet.

    Hurley e Chen, vice-presidente de tecnologia do grupo, fundaram o YouTube em fevereiro de 2005, como uma clássica empresa iniciante instalada em uma garagem, e em sociedade com mais um amigo, Jawed Karim. Karim deixou a empresa pouco antes que ela obtivesse sua primeira rodada de capitalização, em novembro de 2005, retomando seus estudos em tempo integral na universidade Stanford.

    A Sequoia Capital, uma das maiores empresas de capital para empreendimentos do Vale do Silício ofereceu US$ 3,5 milhões em capitalização inicial e mais US$ 8 milhões em abril. Roelof Botha, o principal investidor da Sequoia, foi vice-presidente financeiro do PayPal, serviço online de pagamentos para o qual Hurley e Chen trabalharam como engenheiros.

    O Wall Street Journal, citando uma fonte próxima dos detalhes da transação, publicou na segunda-feira que a Sequoia detém 30% do YouTube. Hurley não comentou o assunto.

    O YouTube tem sido alvo de ameaças judiciais por parte de companhias de mídia nos últimos meses. Apesar disso, Hurley informou que a decisão de vender a companhia não foi influenciada por receio da empresa ser processada por violação de direitos autorais. "Não, a ameaça de ações judiciais não afetou nossa decisão", disse Hurley.

    Ele afirmou que o diálogo com companhias de mídia, incluindo estúdios de Hollywood, estão progredindo. Na segunda-feira, YouTube e Google anunciaram uma série de acordos de conteúdo com Universal Music Group, Sony BMG, entre outras empresas em um esforço para reduzir a ameaça de processos judiciais.

    No final de setembro, o investidor bilionário e veterano das empresas de Internet Mark Cuban disse que só um "idiota" compraria o YouTube por causa dos riscos de processos relacionados a possíveis violações de direitos autorais pelos usuários do site.

    Reuters
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