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 Irã impede conexões além de 128 kbps
20 de outubro de 2006 14h12

O governo islâmico do Irã ordenou que seus provedores restrinjam o acesso à Internet a um máximo de 128 kbps (kilobits por segundo) e parem com o oferecimento de pacotes mais velozes. De acordo com o The Guardian, a medida foi uma tentativa do governo vigente de sufocar a oposição e também de combater a influência da cultura ocidental.

Hoje no país existem cerca de 5 milhões de usuários de Internet, que terão mais dificuldade de baixar músicas, filmes e programas de televisão estrangeira, programação supostamente culpada por minar a cultura islâmica entre os jovens. A medida representaria uma barreira para que grupos de oposição não se organizem através de divulgação na Internet.

Entre os críticos da decisão estão políticos, provedores online e acadêmicos, que acreditam que isto pode atrasar o progresso do país. "Cada país do mundo está se modernizando e um elemento-chave disto é o acesso à Internet em banda larga", declarou Ramazan-ali Sedeghzadeh, presidente do comitê parlamentar de telecomunicações iraniano. "O mundo precisa disto para o desenvolvimento e acesso à ciência contemporânea". Uma petição com mais de mil assinaturas que diz que a medida é "retrógrada e sem princípios" será encaminhada ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O Irã recentemente deixou sem resposta uma proposta ocidental de incentivo que incluía modernização da tecnologia Internet em troca da suspensão de uma parte importante do programa nuclear do país.

A censura do país bloqueou, através de filtros norte-americanos, muitos sites e blogs, atingindo um número superior ao de endereços banidos em outros países, exceto pela China. Porém, através da Internet de alta velocidade, é possível usar dispositivos que burlam o banimento e acessam os sites filtrados.

De acordo com Parastoo Dokoohaki, iraniano que mantém um blog, a medida foi criada para frustrar a oposição ao governo, já que qualquer reunião ou evento promovido por ela não ganhará foco em sites oficiais e jornais até que seja muito tarde. "Apesar de ter equipamentos de telecomunicações, tecnologia de fibra ótica e infra-estrutura de Internet, as autoridades querem que sejamos subdesenvolvidos", reclamou.

A ação veio junto com uma série de restrições da mídia: na última semana o presidente atacou a rede IRIB, culpando-a por aumentar o medo da inflação em seus telespectadores. O principal jornal reformista do país, Shargh, também foi fechado há um mês, e há alguns dias uma ação da polícia confiscou milhares de antenas parabólicas instaladas clandestinamente no país, pelas quais os iranianos assistiam à programação das emissoras ocidentais.

O site EURSOC acredita que a medida não conseguirá isolar culturalmente o país, já que muito conteúdo de entretenimento e noticiário ocidental poderia chegar através de agregadores e feeds de blogs, geralmente projetados para baixas conexões de banda larga.

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