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Sexta, 27 de outubro de 2006, 17h47 Atualizada às 18h12

Controle dos EUA marcará fórum mundial da internet

A questão do controle dos Estados Unidos sobre a internet voltará à tona durante o Fórum de Governança da Internet (FGI), que será inaugurado na segunda-feira em Atenas, após ter dominado os debates há um ano na Cúpula da Informação de Túnis. "A dominação americana sempre constitui uma fixação. Os Estados Unidos mostraram que este é um ponto crucial e que não quer abandonar seu poder na rede", antecipou o acadêmico francês Bernard Benhamou, especialista em Sociedade da Informação.

Na Cúpula de Túnis, organizada pelas Nações Unidas em novembro de 2005, os estados fracassaram na tentativa de convencer Washington neste tema. O âmago da questão consiste no estatuto da Organização para Atribuição de Nomes de Domínio (ICANN, na sigla em inglês), entidade que administra a rede responsável pela distribuição das principais áreas temáticas e geográficas da internet (.es, .net, ou .com, por exemplo).

Apesar do alcance mundial das decisões desta entidade e de suas repercussões econômicas, a ICANN é subordinada ao veto do Departamento de Comércio americano, que na prática controla sua atividade. Sem precisar ir muito longe, o lucrativo domínio.com foi atribuído sem licitação a uma empresa americana. "Hoje em dia o governo americano tem o direito de veto sobre a totalidade de questões de maior envergadura. Pode, por exemplo, rejeitar a atribuição de um nome de domínio a um país", explicou Martin Selmayr, porta-voz da comissária européia para a Sociedade da Informação, Viviane Reding.

"Nós queremos fazem saltar o último ferrolho", acrescentou, resumindo a posição européia sobre o tema. Contra os países que optam pela imposição de uma estrutura internacional, como a ONU, para controlar a rede, outros, liderados pelos Estados Unidos, alegam que isto equivaleria a dar poder a Estados pouco democráticos.

O mesmo dizem algumas associações, como a Repórteres sem Fronteiras (RSF). "Preferimos claramente que os Estados Unidos estejam atrás da ICANN do que a Síria ou o Irã", disse Julien Pain, responsável desta entidade defensora da liberdade de imprensa. No fim de setembro, os Estados Unidos suavizou um pouco o seu controle. É que o Departamento de Comércio não poderá mais controlar a agenda da organização. O poder de veto, no entanto, será mantido.

Os promotores do FGI mantêm a esperança de que o tema da dominação americana não monopolize os debates.

AFP

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