
A organização Repórteres Sem Fronteiras, que promove a liberdade de imprensa, afirmou que produtos vendidos por grandes empresas norte-americanas à China ampliaram a capacidade de Pequim para limitar o acesso à Internet no país. "Vocês venderam tecnologia que a polícia chinesa emprega para limitar e controlar a liberdade na Internet", disse Julien Pain, da ONG, no fórum de Atenas.
"Os governos de países democráticos deveriam regulamentar todas as atividades de empresas de Internet para impedir esse tipo de abuso", acrescentou. A China é o segundo maior mercado mundial de Internet.
As autoridades do país empregam um total estimado em 30 mil pessoas para patrulhar sites em busca de material subversivo, e a China é um dos países em que os jornalistas são mais reprimidos: há pelo menos 32 deles presos, bem como outros 50 defensores da liberdade no uso da Internet, de acordo com a organização.
A maior fabricante norte-americana de equipamento para redes, Cisco, e diversas outras empresas de tecnologia do país, incluindo Google, Microsoft e Yahoo, enfrentam a ira de alguns parlamentares, ativistas e investidores norte-americanos por sua suposta cumplicidade com práticas chinesas que resultam em abusos contra direitos humanos.
A China será a sede da Olimpíada de 2008 e está sob crescente pressão para relaxar suas restrições à Internet. O país usa tecnologia da Cisco Systems - cujos produtos servem para direcionar o tráfego da Web ¿ mas a adquire junto a revendedores independentes de produtos do grupo.
Um executivo da Cisco disse que a empresa não vendia produtos especialmente adaptados para atender exigências de governos. "Vendemos o mesmo equipamento que é vendido a qualquer país do mundo", disse Art Reilly, diretor sênior de política estratégica de tecnologia da Cisco, no fórum. "Vendemos o mesmo produto em toda parte. Não estamos mancomunados com governo algum."
Reuters
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