Internet

› Tecnologia › Internet

Internet

Terça, 21 de novembro de 2006, 14h15

Celular e Web expõem violência juvenil em escolas italianas

Nos últimos dias, os numerosos casos de violência e abuso sexual ocorridos em escolas italianas, que são gravados com câmeras de celulares e divulgados em sites de vídeo na Internet, causaram alarme no país. A gota d'água foi o vídeo feito por alunos de um colégio em Turim que mostra os garotos agredindo um colega portador da síndrome de Down e que foi divulgado na Internet como "divertido". O ministro da Justiça propôs medidas de emergência contra a "nova onda", e os pais deverão responder pelos danos cometidos por seus filhos.

Depois disso, soube-se que em Nápoles foram presos três jovens com idades entre 14 e 16 anos, acusados de violentar sexualmente uma menor: o fato foi descoberto a partir do vídeo que os próprios agressores gravaram. O mesmo aconteceu em Torrete, onde um grupo de garotos com entre 14 e 17 anos de idade abusaram de uma amiga de 13, enquanto outro colega gravava a cena em um celular. O vídeo foi parar na Internet e em algumas caixas postais eletrônicas de alunos da mesma escola.

O endurecimento da justiça italiana também se deveu à transmissão, pela televisão, de outros vídeos do mesmo tipo. Num deles, vê-se um aluno que aponta uma pistola falsa para a cabeça do professor, outros mostram estudantes depredando as dependências da escola ou insultando professores, e alunos tocando fogo em objetos inflamáveis que são atirados nos outros.

O governo italiano determinou medidas como tornar os pais responsáveis pelos danos causados pelos filhos, enquanto que o ministro da Justiça, Clemente Mastella, anunciou a criação de uma comissão para buscar uma saída. Para o ministro, tudo que desencadeia a violência, incluindo os videogames, deve ser eliminado.

Já o ministro da Educação, Giuseppe Fiorini, pediu um "esforço" às escolas. Ele se pergunta como é possível que um colégio, uma instituição, "não veja nem ouça" o que se passa.

De acordo com o sociólogo Pietro Zocconali, não é a escola e sim os pais que não ouvem nem vêem o suficiente sobre seus filhos. Já o psiquiatra Giovanni Bollea considera que a família pode fazer muito, mas não tudo, já que os jovens sempre podem encontrar elementos que os levem à violência. Bollea está convencido de que os pais têm que saber o que seus filhos fazem, conhecer seus amigos, assim como participar da escola sem considerá-la apenas um lugar que dará um diploma aos jovens.

O colégio pode observar os adolescentes, mas não existe uma relação autêntica entre professores e família, segundo Bollea. Para este psiquiatra, a Internet "é um problema sério". Com a Internet, os jovens vivem no mundo como os adultos e vêem a maldade, mas "a Internet não ensina emoções nem como se deve pensar", diz Bollea. De acordo com dados fornecidos pelos meios de comunicação italianos, 33% dos alunos já foram vítimas de episódios de violência. E, ainda que a maior parte condene tais atos de agressão, 18% afirmam que é melhor ser prepotente do que ser agredido.

Terra Chile

Busque outras notícias no Terra