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Encontro da ONU discute destino do "e-lixo"

27 de novembro de 2006 12h25 atualizado às 12h50

Menino carrega sucata em um lixão de eletrônicos na Nigéria. Foto: © Basel Action Network 2005/Divulgação

Menino carrega sucata em um lixão de eletrônicos na Nigéria
Foto: © Basel Action Network 2005/Divulgação

Delegados de cerca de 120 países reuniram-se no Quênia, hoje, para discutir medidas de combate à crescente ameaça representada pelo lixo tóxico. O principal foco dos cinco dias de negociações é o problema cada vez maior do chamado "e-lixo", ou lixo eletrônico - computadores, telefones celulares e televisores vendidos principalmente para países em desenvolvimento, onde muitos desses equipamentos são jogados ou queimados a céu aberto.

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  • "Conseguimos criar um novo problema neste planeta", afirmou Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), durante a abertura da conferência, que reúne os participantes da Convenção da Basiléia, responsável por monitorar o lixo tóxico. "Um dos maiores desafios de nossa época é chegar a um acordo sobre o que é lixo e o que é produto de segunda mão. Essa pergunta abarca tanto navios em fim de carreira quanto equipamentos eletrônicos."

    Entre as propostas a serem discutidas no encontro está a de responsabilizar financeiramente por seus produtos os fabricantes, do design ao destino final deles. Os delegados também tentarão tornar mais rígidas as leis internacionais sobre o lixo a fim de evitar que se repitam desastres como o ocorrido na Costa do Marfim em agosto, quando dez pessoas foram mortas depois de "restos" de petróleo terem sido despejados na região de Abidjan, maior cidade do país.

    Segundo Steiner, o caso ocorrido em um dos países mais pobres do mundo servia como "um sinal triste" da inabilidade dos governos em proteger seus civis. O chefe do Pnuma disse que o fato deveria servir como forma de pressão para que as negociações chegassem a soluções concretas.

    Aviões e navios
    Os participantes do encontro também devem discutir sobre o número crescente de veículos de grande porte ¿ em sua maioria aviões e navios ¿ que devem ser aposentados nos próximos anos. Segundo novos dados divulgados pelo Pnuma, quase um terço dos 25 mil aviões civis de grande porte hoje em serviço devem ser desmontados nos próximos dez a 15 anos. Essa cifra deve crescer para mais de 35 mil até 2035, diz.

    As novas regulamentações sobre os navios-tanque aprovadas depois dos acidentes com vazamento de petróleo na Europa em 1999 e 2002 significam que cerca de 2,2 mil navios ¿ muitos deles envolvidos no carregamento de amianto e de outros materiais perigosos ¿ devem se aposentar na Europa, até 2010.

    Outros 1,8 mil serão tirados de atividade na América do Norte, no Brasil e na China, afirma o Pnuma. Em 2004, a Convenção da Basiléia classificou os navios velhos de "lixo tóxico", mas os delegados deparam-se com escolhas difíceis a serem feitas.

    Países como Bangladesh, responsável por desmantelar mais de metade dos navios aposentados do mundo, temem que leis mais rígidas de proteção ambiental traduzam-se em cortes no número de postos de trabalho.

    Reuters
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