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Quarta, 29 de novembro de 2006, 14h59 Atualizada às 18h16

Francês é preso tentando vender cabelo de Ramsés 2

A polícia francesa prendeu um homem que estava tentando vender mechas de cabelo do faraó egípcio Ramsés 2, disse na quarta-feira uma fonte judicial. O homem, que não tinha sido identificado, estava pedindo entre dois mil e 2,5 mil euros por cada uma das várias amostras de cabelo, além de pequenos pedaços de resina e de tecido embalsamado tirados da múmia do faraó.

O vendedor afirmou em um site na internet (www.visastreet.fr) que havia recebido as relíquias de seu pai, que tinha trabalhado num laboratório francês responsável por analisar e restaurar o corpo de Ramsés, entre 1976 e 1977.

"Recebemos garantias de que é mesmo cabelo de Ramsés e estamos investigando o suspeito por posse fraudulenta do material", disse a fonte judicial de Grenoble, no sudeste da França, que não quis ser identificado. "Ele diz que seu pai, que já morreu, guardou o cabelo, que foi dado à França para análise de especialistas", afirmou.

Arqueólogos franceses reagiram horrorizados à notícia. "Nenhum cientista francês ousaria tirar cabelo de Ramsés 2. Isso é furto", disse Christiane Desroches-Noblecourt, que trabalhou no projeto de restauração na década de 1970.

Ramsés 2, também conhecido como Ramsés o Grande, nasceu por volta de 1304 a.C. e governou o Egito por mais de 60 anos durante a 19ª dinastia de faraós, há 3,2 mil anos.

Sua múmia foi descoberta em 1881 e pouco depois removida para o Museu Egípcio do Cairo. No início da década de 1970, as autoridades perceberam que o corpo estava se deteriorando e o enviaram para Paris, onde ele recebeu tratamento para uma infecção por fungos.

O vendedor prometia fornecer certificados de autenticidade ao eventual comprador das relíquias. "Sou a única pessoa que tem essas coisas e não será retirada mais nenhuma amostra da múmia, que hoje está no Cairo. O dinheiro que estou pedindo pela aquisição é compatível com a raridade dos objetos", escreveu ele.

A fonte judicial de Grenoble disse que o homem pode ser acusado de receber bens roubados se ficar claro que ele não teve nada a ver com a retirada das amostras de cabelo.

O Ministério das Relações Exteriores da França disse na quarta-feira que está trabalhando em conjunto com as autoridades egípcias no caso. "Estamos convencidos de que as relações entre a França e o Egito a esse respeito, que vêm sendo marcadas pela cooperação exemplar por dois séculos, não será prejudicada devido a essa tramóia", disse o porta-voz do ministério, Jean-Baptiste Mattei.

Reuters

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