
Além dos tijolos, reunindo telas e controles remoto, a "casa digital", onde os aparelhos eletrônicos se multiplicam e se ligam uns aos outros, começa a virar realidade, embora sob o risco de cansar o consumidor com sistemas complexos demais. No Salão de Eletrônica para o Consumidor (CES, na sigla em inglês), celebrado em Las Vegas, a fronteira entre os setores se torna cada vez mais tênue.
Os expositores apresentaram produtos com várias funções, como computadores onde se pode ver televisão e telefones celulares, que permitem navegar na internet. Tudo converge para um mesmo objetivo: melhorar a transmissão e a resolução da imagem e do som, o desenvolvimento da tecnologia sem-fio e de sites e programas interativos.
"Estamos em um ponto onde o estilo de vida digital, que engloba todas as atividades do consumidor, vira realidade", disse durante entrevista coletiva Kurt Scherf, analista da Parks Associates, especialista do setor. "A demanda do consumidor por aparelhos cresce com cada lançamento bem sucedido de um produto que cumpre suas promessas, razão pela qual surgem muitos aparelhos novos. Alguns fracassarão, mas outros funcionarão, como o reprodutor MP3, os sistemas de alarme por controle remoto, os telefones inteligentes e os vídeos digitais", explicou.
"Estas tecnologias se tornaram parte da nossa vida, mas os consumidores suportam cada vez menos os produtos que não funcionam ou são muito difíceis de instalar ou usar", acrescentou. "É preciso simplicidade, produtos integrados em um único aparelho. Mas, quem marcará a tendência: o provedor da Internet, o decodificador, o computador, o conector a uma rede ou o telefone celular?", questionou-se Scherf. Para responder esta pergunta, várias empresas anunciaram no CES soluções passageiras, principalmente para a convergência entre a televisão e a Internet e para a transição da Internet para os telefones celulares.
Gigantes da eletrônica, como Microsoft, Apple e Nokia, apontam para verdadeiros "centros eletrônicos" para a casa, que conectarão todos os equipamentos de vídeo e música. O presidente da Apple, Steve Jobs, que quer que sua empresa seja o principal agente na eletrônica doméstica, apresentou na terça-feira a Apple TV, que permite transferir vídeos, música e fotos de um computador a uma TV, graças à tecnologia sem-fio.
No domingo, o presidente fundador da Microsoft, Bill Gates, já havia anunciado o lançamento de um servidor central para a casa (Windows Home Server). Também disse que o console de video games XBox servirá de decodificador para transmitir para a televisão canais da internet. A Microsoft quer transformar seu XBox em um centro de entretenimento para o lar.
Outras novidades da japonesa Sony, associada à Sling Media, e entre Pulse-Link com Samsung, vão na mesma direção, unindo televisão e internet e oferecendo telas de alta definição.
Claro que, abarrotadas de telas cada vez maiores, a casa digital terá dificuldades em manter um toque pessoal. Por este motivo, a empresa Vutec propôs esconder as telas planas atrás de grandes quadros móveis.
AFP
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AP
Quarto mostrado por Bill Gates tem papel de parede digital
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14h43 » "Casa digital" vira realidade no Salão da Eletrônica para o Consumidor