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Tecnologia

 
 

ONU descarta mudança no controle da Internet

15 de janeiro de 2007 10h23 atualizado às 11h01

A Internet deve continuar a ser supervisionada por grandes agências como a ICANN e a União Internacional das Telecomunicações (UIT), em lugar de por alguma nova "superestrutura", afirmou o novo chefe do órgão vinculado à Organização das Nações Unidas. Hamadoun Toure, que tomou as rédeas da UIT este mês, disse que a agência deveria se concentrar em questões de segurança da Internet e na redução da disparidade digital entre os países ricos e os pobres.

"Devemos todos trabalhar juntos, cada agência tem seu papel a desempenhar. Precisamos desenvolver uma melhor cooperação... e evitar a criação de uma superestrutura que seria muito controversa e muito difícil de implementar", disse Toure em entrevista coletiva.

A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), uma empresa sem fins lucrativos sediada na Califórnia, administra o sistema de endereços e nomes de domínio da Internet. Ela se reporta ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que em setembro passado anunciou que manteria poder de supervisão sobre a empresa por mais três anos.

Alguns críticos dizem que o governo norte-americano tem controle demais sobre a ICANN, que se tornou um importante veículo de comércio, comunicações e cultura em todo o mundo. Países como o Irã e o Brasil argumentaram que a Internet deveria ser administrada pelas Nações Unidas ou outra organização mundial.

"Não tenho intenção de assumir o controle da Internet. Não acredito que isso seja parte da missão da UIT e, como secretário geral, continuarei a contribuir para o debate sobre o controle da Internet e a fornecer assistência técnica", disse Toure, engenheiro eletricista do Mali. "Meu foco será a segurança online...", acrescentou.

Mas perguntado sobre a repressão à liberdade de expressão na Internet, inclusive na China, onde usuários da Web foram presos, Toure respondeu que "a liberdade de expressão é uma questão de edição de conteúdo, e isso não é da alçada da UIT". "A UIT não lida com o conteúdo da Internet, mas precisa estar envolvida com a segurança da rede", disse.

Além de supervisionar a numeração eletrônica, a UIT apoiará o crescimento da Internet por meio da padronização de banda larga, segurança no comércio eletrônico e sistemas de gravações de vídeo que permitirão que a telefonia celular de terceira geração (3G) seja acessível na Internet, de acordo com Toure.

Toure, que ingressou na UIT em 1999, foi eleito secretário-geral da agência em novembro, sucedendo o japonês Yoshio Utsumi. A gâencia tem 191 países membros e 640 membros vinculados ao setor privado.

Reuters
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