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Quarta, 14 de fevereiro de 2007, 08h55

Cuba protesta contra embargo que bloqueia Web

Foi com apelos para domar o "potro selvagem" das novas tecnologias e com a condenação ao bloqueio americano que impede Cuba de ter um maior acesso à Internet que se inaugurou a Convenção de Informática 2007 em Havana, em meio às críticas de organismos internacionais à ilha por "censura" na rede.

  • ONG culpa governo por atraso da Web em Cuba
  • As novas tecnologias constituem "um dos mecanismos de extermínio global", que são, por sua vez, "paradoxalmente, imprescindíveis para continuar avançando pelos caminhos do desenvolvimento", disse na segunda-feira à noite o ministro cubano de Informática e Comunicações, Ramiro Valdés, na abertura do evento, diante de mais de 1,65 mil especialistas de 58 países.

    "O potro selvagem pode e deve ser dominado e as infocomunicações postas em função da paz e do desenvolvimento", completou Valdés, ex-ministro do Interior em Cuba, no evento chamado "As tecnologias da informação e as comunicações e sua contribuição para um mundo melhor".

    Várias organizações internacionais, como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), criticam Cuba, por sua vez, por regular a conexão da Internet, negando a muitas pessoas a possibilidade de navegar de suas casas pela rede e até de comprar um computador.

    O governo cubano alega que as limitações existem por causa da impossibilidade de usar os cabos submarinos de telecomunicações que passam rente a sua costa, fruto do "mais cruel e prolongado" embargo econômico mantido pelos Estados Unidos contra a ilha há 45 anos.

    "Apesar de passarem muito perto da costa cubana cabos internacionais de fibra óptica, as leis do bloqueio impediram a conexão a eles", justificou Valdés, que denunciou a chamada "guerra midiática" lançada pelos EUA para obter o controle global da Internet como arma estratégica contra países como Cuba e Irã.

    O Pentágono "declarou sua decisão de incorporar um quarto exército aos corpos especializados da guerra convencional. Aos clássicos Terra, Ar e Mar, acrescente-se agora o ciberespaço", atacou. O acesso à rede em Cuba se limita a dependências oficiais, como hotéis, hospitais e universidades, o que o ministro chamou de "uso racional e eficiente dos recursos", que prioriza "setores-chave como saúde, educação, centros científicos, instituições culturais e empresas". Estão incluídos na lista cerca de 200 pontos de navegação, também estatais, como as agências dos Correios, similares aos "cibercafés", aberto a qualquer cubano.

    Alguns habitantes reclamam da tarifa nos Correios, que chega a cerca de US$ 4 por três horas, alegando que é proibitiva, considerando-se a média salarial nacional de US$ 15 a US$ 20 mensais.

    Em um relatório divulgado no final do ano, a RSF incluiu Cuba como o único país latino-americano na lista dos 13 "inimigos da Internet", lembrando da greve de fome do opositor Guillermo Fariñas pelo livre acesso da população à rede.

    AFP

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