
Segundo os cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom) este setor crescerá em 2007 entre 14% e 20%, explicou Ricardo Saur, diretor-executivo da entidade.
Em 2006, as exportações brasileiras destes serviços somaram cerca de US$ 800 milhões, acrescentou. A estratégia da Brasscom é fomentar esta atividade de alto valor agregado para que o Brasil consiga exportar em 2010 o equivalente a US$ 5 bilhões por ano, "mas é um desejo que dependerá de muitos fatores e de incentivos", admitiu Saur em entrevista à Efe.
Entre os fatores que condicionam e limitam este cenário estão um dólar "muito baixo" em comparação ao real, a falta de incentivos fiscais, a alta carga de impostos que hoje prejudicam a competitividade e um custo trabalhista acima da média internacional, disse.
Porém, apesar destes fatores negativos, o Brasil tem um conhecimento avançado do negócio e recursos humanos próprios, além de um amplo mercado interno que lhe permite compensar as falhas e alcançar um grande crescimento, declarou o empresário.
O Brasil também quer promover como atrativos sua proximidade geográfica e cultural com os mercados da Europa e dos Estados Unidos e ampliar sua presença internacional com novas associações. O objetivo da Brasscom é atrair o interesse do Governo, do Congresso, da imprensa, da academia e dos empresários para este projeto.
O primeiro passo institucional é a realização da 1ª Rio de Janeiro International Software & Services Outsourcing Conference, que acontece no Rio de janeiro nos dias 1 e 2 de março com a presença de especialistas nacionais e estrangeiros, disse Saur.
O evento discutirá estratégias e tendências do negócio e tem o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e da Ciência e Tecnologia, além de Governos de estados e municípios.
Segundo informações da Brasscom, o mercado mundial de software e serviços movimentou cerca de US$ 36 bilhões em 2006, enquanto se espera que até 2010 alcance os US$ 110 bilhões. Hoje, a Índia domina 70% deste negócio, sendo seguida por China, Rússia e Malásia.
O plano dos brasileiros é entrar nesta disputa, mas precisam de incentivos similares aos de seus concorrentes, como Malásia, Filipinas e México, declarou Saur. Segundo ele, caso em 2010 a Índia reduza em 60% sua participação diante do avanço de outros países, o 40% restante vai ser distribuído entre os mercados com maior população, os que serão capazes de garantir que não haverá súbitas escaladas de custos salariais por falta de mão-de-obra.
O Brasil tem cerca de três mil empresas de software e serviços, incluindo as de pequeno porte.No entanto, as que mais se destacam e têm condições de exportação são hoje cerca de cem, declarou Saur.
EFE
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