Tecnologia

 
 

Tecnologia » Tecnologia

 Brasil quer ser grande pólo global de software em 2010
27 de fevereiro de 2007 15h00 atualizado às 15h24

As empresas brasileiras de Tecnologia da Informação (TI) pretendem aumentar suas exportações em 44% em 2007 e sonham em transformar o país em um dos cinco maiores pólos globais de software e serviços em 2010, afirmaram hoje empresários do setor.

Segundo os cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom) este setor crescerá em 2007 entre 14% e 20%, explicou Ricardo Saur, diretor-executivo da entidade.

Em 2006, as exportações brasileiras destes serviços somaram cerca de US$ 800 milhões, acrescentou. A estratégia da Brasscom é fomentar esta atividade de alto valor agregado para que o Brasil consiga exportar em 2010 o equivalente a US$ 5 bilhões por ano, "mas é um desejo que dependerá de muitos fatores e de incentivos", admitiu Saur em entrevista à Efe.

Entre os fatores que condicionam e limitam este cenário estão um dólar "muito baixo" em comparação ao real, a falta de incentivos fiscais, a alta carga de impostos que hoje prejudicam a competitividade e um custo trabalhista acima da média internacional, disse.

Porém, apesar destes fatores negativos, o Brasil tem um conhecimento avançado do negócio e recursos humanos próprios, além de um amplo mercado interno que lhe permite compensar as falhas e alcançar um grande crescimento, declarou o empresário.

O Brasil também quer promover como atrativos sua proximidade geográfica e cultural com os mercados da Europa e dos Estados Unidos e ampliar sua presença internacional com novas associações. O objetivo da Brasscom é atrair o interesse do Governo, do Congresso, da imprensa, da academia e dos empresários para este projeto.

O primeiro passo institucional é a realização da 1ª Rio de Janeiro International Software & Services Outsourcing Conference, que acontece no Rio de janeiro nos dias 1 e 2 de março com a presença de especialistas nacionais e estrangeiros, disse Saur.

O evento discutirá estratégias e tendências do negócio e tem o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e da Ciência e Tecnologia, além de Governos de estados e municípios.

Segundo informações da Brasscom, o mercado mundial de software e serviços movimentou cerca de US$ 36 bilhões em 2006, enquanto se espera que até 2010 alcance os US$ 110 bilhões. Hoje, a Índia domina 70% deste negócio, sendo seguida por China, Rússia e Malásia.

O plano dos brasileiros é entrar nesta disputa, mas precisam de incentivos similares aos de seus concorrentes, como Malásia, Filipinas e México, declarou Saur. Segundo ele, caso em 2010 a Índia reduza em 60% sua participação diante do avanço de outros países, o 40% restante vai ser distribuído entre os mercados com maior população, os que serão capazes de garantir que não haverá súbitas escaladas de custos salariais por falta de mão-de-obra.

O Brasil tem cerca de três mil empresas de software e serviços, incluindo as de pequeno porte.No entanto, as que mais se destacam e têm condições de exportação são hoje cerca de cem, declarou Saur.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.