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Discurso de Chávez revive boato sobre QI de Bush

13 de março de 2007 15h53 atualizado às 16h31

Bush enfrentou protestos em sua viagem pela América Latina. Foto: EFE

Bush enfrentou protestos em sua viagem pela América Latina
Foto: EFE

Uma boa prova de que as lendas urbanas nunca morrem na Internet é o pseudo-relatório sobre o suposto baixo coeficiente de inteligência do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que ressurgiu das cinzas para lembrar os riscos da era virtual. O responsável indireto pela ressurreição do falso estudo, citado por vários sites de jornais latino-americanos e também pela agência de notícias Efe, foi o inimigo número um de Bush na América Latina: o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

» Internet é o paraíso moderno dos boatos

Chávez, que faz uma contravisita pela região para ofuscar o protagonismo da viagem de Bush a cinco países latino-americanos, aproveitou sua passagem recente pelo estádio de futebol Ferro de Buenos Aires para zombar da suposta baixa capacidade intelectual de seu rival." Vi hoje uma nota curiosa mandada por Fidel (...). Hoje chegou a mim, via Havana, um bloco de notícias (...). O presidente Bush é o presidente com mais baixo coeficiente intelectual em toda a história dos EUA", disse o líder venezuelano na sexta-feira em meio aos aplausos.

A partir disso, vários veículos de comunicação reproduziram a análise do Instituto Lovenstein (que não existe), cuja única fachada é um site (http://lovenstein.org) com o slogan "Nossas vidas começam no dia em que não ficamos mais calados sobre o que importa". A seção de relatórios da página traz no topo o estudo sobre o QI de Bush, que seria o mais baixo dos presidentes que comandaram os EUA nos últimos 60 anos, segundo o instituto fantasma, que se define como um centro de estudos que tem importantes historiadores, psiquiatras, sociólogos e psicólogos. No entanto, a verdade é que nenhum dos brilhantes acadêmicos citados na análise existe e, entre os milhões de institutos presentes nos EUA, não há nenhum Lovenstein.

Mas existe uma página da Internet com aparência crível e que tem este nome, com atualização diária. O problema com estas histórias é que costumam ser muito interessantes e críveis, disse Aly Cólon, analista do Instituto Poynter, importante centro de formação de jornalistas, que afirma que as lendas urbanas repetem-se com freqüência. O artigo sobre a pouca inteligência de Bush, tema recorrente entre os comediantes de televisão americana, circula na web desde 2001.

Patrick Boyle, professor da Universidade de Maryland e criador de uma site sobre hoaxes (enganos) virtuais, disse que o sucesso das histórias pré-fabricadas está, em grande medida, em sua capacidade para confirmar um estereótipo. Um relatório que mencione que o presidente Richard Nixon teve um romance extraconjugal tem menos possibilidades de ser crível do que outro que diga o mesmo sobre Bill Clinton, disse Boyle.

E o hoax do Instituto Lovenstein confirmava um estereótipo muito difundido, o da pouca massa cinzenta de Bush. Uma busca no Google com os termos George W. Bush e stupid (estúpido, em inglês) oferece cerca de um milhão e meio de resultados. Por isso, jornais como o britânico The Guardian caíram no conto em 2001, quando o estudo veio à tona, assim como o Pravda (Rússia), o Bild (Alemanha) e várias pequenas publicações dos EUA.

O problema com a Internet é que as mentiras não morrem, disse Boyle. Além do site de Boyle, também há outras páginas que buscam desfazer as lendas urbanas. O site About tem também uma seção destinada a lendas urbanas e folclore (http://urbanlegends.about.com), que inclui uma lista das 25 lendas mais populares da semana anterior.

EFE
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