
Atualizada às 11h16 Fonte inesgotável de inovação científica e tecnológica, o Vale do Silício, nos Estados Unidos, adotou o Twitter, um serviço de miniblog, como o item do momento e que, agora, ameaça se tornar o próximo fenômeno "tecnocultural".
» Governo chinês prepara mais medidas de controle de blogs
» Blogs estão 'matando' diários tradicionais, diz estudo
"O que você está fazendo?". Esta é a pergunta-chave por trás do Twitter (o imitar do som dos pássaros em inglês). Recompensador para alguns, perda de tempo para outros, o Twitter (www.twitter.com) é uma maneira simples e efetiva de atingir grandes audiências através de mensagens via web ou celular. Mas mensagens curtas, de no máximo 140 caracteres.
O Twitter se define como uma "comunidade global de amigos e desconhecidos que respondem uma simples pergunta: O que você está fazendo?". As respostas são das mais variadas: "Meu nariz dói", diz a usuária Edubya; "Estou comprando um computador novo", diz Clay Woolam, de San Francisco; "Eu gostaria de estar na rua. Estou certo de que se não estivesse teclando tanto no Twitter, poderia ter saído antes", escreve Pixel, de Louisville, Estado de Kentucky.
Para fazer parte da comunidade twiteira, basta criar uma conta, gratuita, em www.twitter.com. E sair "microblogando", contando às pessoas o que você está fazendo, onde está, o que procura - ou o que quiser dizer, desde que você o faça em até 140 caracteres.
Por trás desta suposta banalidade se esconde uma ferramenta que pode ser bastante poderosa. O pré-candidato democrata à presidência dos EUA John Edwards, por exemplo, está fazendo uso do serviço e já é conhecido como "candidato eletrônico" por tentar usar a rede para ampliar seu eleitorado.
Os partidários de Edwards podem saber, graças ao Twitter, o que o ex-senador tem feito. Recentemente, por exemplo, Edwards dava informações (em twitter.com/johnedwards) sobre sua incursão por vários estados em um esforço final de coleta de fundos para sua campanha.
O serviço foi lançado há alguns meses, mas só ganhou notoriedade em meados de março, durante o festival multimídia South by Southwest, no Texas, quando foi eleito a melhor ferramenta blog. Na ocasião, influentes blogueiros que assistiam ao encontro inundaram o serviço para agendarem encontros nas festas.
Entre eles está Dan Fost, jornalista e blogueiro do San Francisco Chronicle, que diz que o serviço cresceu cerca de 20% em uma semana. O certo é que em seus sete meses de vida o sistema já supera os 100 mil usuários e lidera o Technorati, ferramenta para buscar blogs que freqüentemente é definida como a mais "in" de todas.
O Financial Times não exagera quando afirma que o Twitter chegou ao "tipo de hipérbole numa região que se dedica a encontrar a próxima estrela da internet".
Os "tubarões" da tecnologia também ressaltaram o êxito do serviço.
Jonathan Schwartz, presidente-executivo da Sun Mycrosystems, disse há poucos dias que o Twitter é o último acerto da geração YouTube. Schwartz se referiu ao Twitter como um aplicativo "viral", ou seja, com potencial de atingir audiências maciças através da rede e do boca a boca.
O executivo lembrou que o serviço de compartilhamento de vídeos online era simplesmente "divertido" até que alguém pagou US$ 1,65 bilhão por ele, em referência ao Google e sua decisão de adquiri-lo no ano passado.
O Twitter é obra da Obvious, uma pequena companhia de San Francisco fundada por Evan Williams, 34 anos, que tem em seu histórico a criação do Blogger, software que permite a construção de diários pessoais comprado pelo Google em 2003.
Já o nome veio da idéia de Biz Stone, 33 anos, que, segundo o próprio, "evoca pássaros, pequenas explosões de informação, algo trivial". "Todo mundo está piando, e até seus telefones trinam".
No entanto, o Twitter pode ser vítima de sua própria fama, já que, por ter se tornado tão popular em tão pouco tempo, algumas vezes o serviço fica muito lento ou não funciona. A fama é tão grande que já existem terminologias ligadas ao serviço, como "Twitterer", o usuário do Twitter, ou "Twitterrhea", ou seja, abundância de "Twitters".
Como informa a revista Time em seu artigo intitulado "Por que todo mundo está falando sobre o Twitter": "(O serviço) É totalmente tolo e superficial, mas está a caminho de se tornar a próxima vedete da internet".
EFE
09h38 » Aplicativos para iPhone ajudam a viajar
16h33 » Roteirista de 'Pulp Fiction' vai para regime fechado após 'twittar'
20h19 » Ministro francês quer que UE enfrente Google sobre livros