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Blogs militares ganham prêmio nos EUA

16 de abril de 2007 16h21 atualizado às 17h59

Blog de soldado virou livro em 2006 e causou o rebaixamento do autor. Foto: Divulgação

Blog de soldado virou livro em 2006 e causou o rebaixamento do autor
Foto: Divulgação

Cada vez mais soldados americanos no Iraque e no Afeganistão usam blogs para publicar suas impressões pessoais sobre os conflitos, compartilhando suas experiências com seus familiares e amigos e, ao mesmo tempo, mostrando uma face mais humana da guerra. Os blogs de militares se estenderam tanto que Washington vai sediar, em maio, uma conferência sobre o tema. Haverá prêmios para os melhores blogueiros.

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"É um novo tipo de jornalismo", definiu o especialista Jean-Paul Borda, que criou o site "Milblogging.com" em outubro de 2005, e fará a entrega dos prêmios na cerimônia em Washington. A página criada por Borda, que no ano passado comprou o site "Military.com", se apresenta como o maior índice do mundo de blogs militares, com 1.702 de 29 países.

"Quando comecei a blogar, no Afeganistão, enfatizei principalmente o humor online", disse Borda. "Brincava com coisas como os pacotes de ajuda e evitava minhas missões. Não queria escrever sobre isso porque minha família lia o blog diariamente e eu queria mantê-los tranqüilos", declarou.

O fenômeno dos blogs entre os militares "está aumentando cada vez mais", disse Borda. Ao relatar seu dia-a-dia em zonas de conflito, os soldados precisam ser cautelosos para não dar informações táticas, mesmo dando detalhes acidentalmente sobre um complexo retratada como pano de fundo de uma fotografia inocente.

Borda explicou que os blogs dos soldados, bem como de suas esposas e famílias, explodiram desde o lançamento do "mildblogging.com". "Muitas vezes, os jovens iniciam um blog devido à frustração que sentem pela forma como os meios de comunicação apresentam a situação", acrescentou Borda em entrevista à AFP.

O sargento Toby Nunn acaba de iniciar um blog para apresentar cada membro da unidade a que pertencem ele e Borda e que se prepara para partir para a guerra. "As pessoas escutam muitas coisas sobre o que acontece através da CNN, NBC, Fox News e as outras redes", disse Nunn. "Eles enfatizam o aspecto político e não o aspecto humano, os rostos e os lugares por trás das operações. Eu quero contar a história dos meus soldados e não falar sobre política", acrescentou.

Nunn descreveu o ato de escrever blogs como uma extensão das cartas que redigiu ao pai enquanto estava na Guerra da Bósnia (1992-1995), a mais sanguinária das três guerras que devastaram a antiga Iugoslávia. "Achei que era uma forma de terapia e uma boa maneira de compartilhar experiências com minha família", declarou.

Além dos blogs, os soldados utilizam também outros sites na Internet, onde publicam informações pessoais em sites de relacionamento, como os populares MySpace e YouTube.

"BlackFive", "Mudville Gazette" e "Wordsmith at war" estão entre os blogs militares mais populares. Alguns destes "soldados blogueiros" retornam a seu país para assinar contratos com editoras para contar sua experiência.

O livro My War: Killing Time in Iraq (Minha guerra: matando o tempo no Iraque, numa tradução literal), do soldado e blogueiro Colby Buzzell, foi descrito pelo autor consagrado Kurt Vonnegut Jr. como algo que "nada menos que a alma de um ser humano extremamente interessante que luta por nós no Iraque".

O recém publicado Blog of War (Blog da guerra), de Matthew Currier Burden, foi recebido com boas críticas na revista Vanity Fair: "pegue o seu antes que o Pentágono mande queimá-lo".

O exército americano também adota regras contra o vazamento de informações relacionadas a missões pelos soldados, tais como as dimensões de uma tropa ou operações, que valem tanto para cartas comuns quanto para as novas tecnologias de informação. "Os soldados precisam tomar cuidado com o que mostram", afirmou Nunn à AFP.

Os comandantes costumam tomar conhecimento do que está sendo publicado nos blogs, mas não interferem em mensagens que não dão detalhes sobre as missões. Segundo o tenente-comandante da Marinha Jeff Davis, além de preservar a integridade das operações, os soldados "blogueiros" devem deixar claro que suas reflexões refletem suas opiniões e não as do Departamento de Defesa.

Durante uma recente operação em um submarino da Marinha, no Oceano Pacífico, Davis se manteve atualizado sobre os blogs e as notícias para garantir o não-comprometimento de algumas missões. "Utilizei motores de busca configurados para me dar informações diárias sobre coisas como estas", disse Davis. "As pessoas são muito eficientes em patrulhar a blogosfera e nos informar quando há problemas. De um modo geral, as pessoas têm sido bem responsáveis", destacou.

Embora alguns soldados usem os blogs como tribuna, outros os utilizam como plataforma para mostrar que muitos militares desejam melhorar as vidas dos iraquianos e dos afegãos, ressaltou Nunn. "Não acredito que os blogs mudem o Exército", mencionou Nunn. "Tudo o que mostram é que estes soldados são pessoas comuns, normais fazendo um trabalho diferente", concluiu.

AFP
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