
Atualizada às 16h26 A companhia trabalha com o governo brasileiro há cerca de dois anos em serviços e desenvolvimento de ferramentas de inclusão digital e recebeu impulso para a integração de sua tecnologia no projeto brasileiro de TV após decidir pela abertura da linguagem de programação.
"Antes de abrirmos (o Java para uso livre), o governo brasileiro estava receoso sobre os royalties que programas e aparelhos criados com base no Java teriam que pagar, o que representaria um custo significativo ao projeto (de TV digital) do país", disse à Reuters o diretor de marketing da Sun no Brasil, André Echeverria. "Mas depois que abrimos, o nível de royalties caiu brutalmente e o governo ficou mais interessado."
O Java é uma linguagem de programação que permite a criação de softwares que podem ser utilizados em vários tipos de dispositivos e que foi desenvolvida pela Sun na década de 1990, inicialmente para ajudar no funcionamento de decodificadores de TV.
A linguagem tornou-se popular em celulares - atualmente há mais de 1 bilhão deles no mundo equipados com recursos Java, segundo a Sun - e tem no Brasil uma grande comunidade de programadores que ajudam a empresa a faturar vendendo serviços e projetos para empresas e órgãos de governo.
A expectativa da Sun é aproveitar essa comunidade e a preferência do governo brasileiro por software livre para fazer o Java ser disseminado também na TV digital, como plataforma capaz de fornecer serviços como acesso à Internet aos usuários, disse Echeverria. O lançamento da TV digital no Brasil está previsto para o fim deste ano.
Sem revelar números precisos, Echeverria afirmou que o faturamento da Sun no Brasil cresceu 25 por cento ao ano nos últimos três anos e que a empresa vive um momento positivo junto ao governo, refletido na reunião do presidente Luis Inácio Lula da Silva com o presidente mundial da empresa, Jonathan Schwartz, no ano passado.
Além dos set top boxes de TV digital, a companhia trabalha para disseminar seu sistema operacional Solaris junto a usuários de computadores pessoais, que hoje contam com o Windows, principalmente, e com o sistema livre Linux, em menor escala, para acionar suas máquinas.
Nesta quinta-feira, a Sun anunciou acordo com a fabricante brasileira Tecnoworld para a venda de notebooks de R$ 1,9 mil equipados com o Solaris. É o primeiro acordo do gênero na América Latina feito pela empresa. "Estamos negociando com outros fabricantes do Brasil e outros países da região", disse Echeverria.
Reuters
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