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Tecnologia

 
 

Idiomas à beira da morte ganham vida na Internet

12 de junho de 2007 13h16 atualizado às 15h45

Idiomas ameaçados como galês, navajo e bretão reconquistaram adeptos e popularidade em suas comunidades, e hoje em dia são até moda entre as crianças. E isso graças à Internet. Os idiomas em risco de extinção estão aparecendo em blogs, serviços de mensagens instantâneas, salas de bate-papo, no site de vídeo YouTube e na página online de redes sociais MySpace, e sua presença no mundo virtual atrai o apoio dos jovens que os falam.

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David Crystal, especialista no idioma galês, disse em entrevista à Reuters que a Internet pode evitar o destino lamentável que parecia reservado a cerca de metade dos 6,5 mil idiomas em todo o mundo. As projeções indicam que metade deles está condenada a desaparecer antes do final do século 21, em ritmo de cerca de duas linguagens extintas a cada mês.

"A Internet oferece aos idiomas ameaçados uma chance de conquistar voz pública da forma que não teria sido possível no passado", disse Crystal, autor de mais de 50 livros sobre idiomas, entre os quais a Cambridge Encyclopedia of Language.

"Não importa o quanto você se dedique a defender um idioma; se você não atrair os adolescentes e pais da próxima geração de crianças, o resultado será nulo", afirmou Crystal, que foi criado falando inglês e galês. "E o que interessa mais aos adolescentes do que a Internet, hoje em dia? Se uma linguagem conquista espaço na rede, é muito mais provável que os jovens considerem que ela é interessante."

A enciclopédia online Wikipédia, escrita e mantida por voluntários, tem verbetes em dezenas de idiomas ameaçados, do cherokee dos indígenas norte-americanos ao tetum, uma linguagem da austronésia, falada por menos de um milhão de pessoas no Timor Leste, passando pelo idioma maori, da Nova Zelândia.

Existem dezenas de chat em galês para os 600 mil usuários do idioma, pouco mais de 20% da população galesa, e os jovens usam essas salas de bate-papo para procurar os melhores bares na cidade ou para paquerar.

Crystal disse que existem cerca de 50 ou 60 idiomas no mundo que estão reduzidos a um único usuário, e que cerca de duas mil línguas jamais foram registradas em forma escrita. "Se esses idiomas morrerem, eles se foram para sempre. Há uma grande perda intelectual para a humanidade. A Internet é muito importante para evitar isso", disse ele.

Reuters
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