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Sexta, 22 de junho de 2007, 12h01 Atualizada às 12h01

Máquina lê pensamento para controlar aparelhos

Esqueça o controle remoto. Uma nova tecnologia demonstrada no Japão pode tornar possível controlar dispositivos sem mexer um músculo, apenas com a atividade cerebral. A "interface cérebro-máquina", desenvolvida pela Hitachi, analisa leves mudanças na corrente sanguínea no cérebro e traduz o movimento cerebral em sinais elétricos.

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Uma espécie de capacete foi conectado através de fibra ótica a um dispositivo de mapeamento, que por sua vez foi conectado a um trem de brinquedo controlado por computador, em uma demonstração no laboratório de pesquisa avançada da Hitachi, em Hatoyama, no Japão.

"Respire fundo e relaxe", disse Keu Utsugi, pesquisador do projeto, enquanto demonstrava o dispositivo na última quarta-feira. Ao seu sinal, outra pesquisadora, usando o capacete, fez simples cálculos mentais e o trem foi para a frente, aparentemente indicando atividade cerebral no córtex frontal, responsável pela solução de problemas.

"Ativar aquela região do cérebro humano - fazendo contas ou cantando uma música - é o que faz o trem andar", diz Utsugi. Quando a pessoa pára de fazer os cálculos, o trem também pára.

Sob a interface da máquina está uma tecnologia chamada de topografia ótica, que envia pequenas quantidades de luz infravermelho através da superfície do cérebro, para mapear mudanças na corrente sanguínea.

Apesar deste tipo de tecnologia ser tradicionalmente focada em usos medicinais, empresas como Hitachi e Honda têm estudado aplicações comerciais.

Cientistas da Hitachi estão querendo desenvolver um controle remoto de televisão comandado apenas pela mente. Já a Honda, cuja interface monitora o cérebro com uma máquina de ressonância magnética, está empolgada para fazer uma interface inteligente para automóveis de próxima geração.

A tecnologia pode um dia substituir controles remotos e teclados, além de auxiliar pessoas desabilitadas a operar cadeiras de roda, camas ou até mesmo membros elétricos. Inicialmente, a idéia é usar o dispositivo para pessoas com paralisia completa se comunicarem.

Uma das grandes vantagens da tecnologia da Hitachi é que possui sensores que não invadem fisicamente o cérebro. Experiências antigas requisitavam a implantação de um chip sob o crânio.

Entretanto, ainda existem problemas. O tamanho é o primeiro, e a Hitachi já desenvolveu uma faixa (como aquelas usadas pelos tenistas) que pesa cerca de um quilo. Outro problema é a interferência de outras atividades cerebrais e como ignorá-las.

"Qualquer interface cérebro-máquina comercial bastante difundida está um pouco distante", diz Koizumi. Ele disse também que a tecnologia é divertida e poderia ser usada com brinquedos. "É bastante divertido mover o trem com o pensamento", declarou.

AP

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Pesquisadora move um trem de brinquedo ao fazer cálculos de cabeça
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