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Segunda, 25 de junho de 2007, 15h22

Robôs destemidos treinam trabalhos de resgate

Ralph Blumenthal

Em Disaster City, o dia era de novo quase perfeito. Dois trens transportando passageiros e produtos químicos perigosos colidiram. Um edifício de escritórios e uma garagem elevada desabaram. E ao longe se via fumaça escura. Mas Eyeball, Dragon Runner, ToughBot, Marv, Matilda e Talon não se deixaram abalar.

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São todos robôs, e eles e seus colegas, igualmente sacrificáveis, estão há alguns dias rolando ou voando por sobre a carnificina, em um centro de treinamento afiliado à Universidade A&M, do Texas, em College Station, transmitindo imagens, farejando em busca de venenos e carregando manequins em um exercício cujo objetivo é avaliar os robôs cuja missão é o trabalho de resgate.

"Estamos em um grande parque de diversões", disse Thomas Meyer, da Alemanha, enquanto conduzia o AirRobot, produzido por sua empresa, na busca de sobreviventes. Trata-se de um aparelho leve, um anel de metal propelido por quatro rotores e transportando uma câmera, cuja missão no dia em questão era procurar "sobreviventes". "Mas a situação é séria, na verdade, porque as pessoas aqui têm de lidar com a realidade".

As forças armadas já estão usando alguns dos robôs no Iraque para detectar e remover explosivos.

"A cada vez que um deles termina explodindo, na verdade estamos salvando a vida de um técnico de desarmamento de explosivos", diz Martin Foley, gerente geral da divisão de combate ao terrorismo da Foster Miller, de Massachusetts, produtora do Talon e do Talon Hazmat, equipados para transportar materiais perigosos.

Inaugurada em 1997, Disaster City, uma área de 20 hectares de ruínas e refugo, é operada pelo serviço de extensão universitária da Universidade do Texas, conhecido como Teex, no treinamento das forças estaduais de emergência e de bombeiros e profissionais de resgate de todo o mundo.

O exercício de robótica, o quarto em dois anos a ser patrocinado pela Diretoria de Ciência e Tecnologia do Departamento de Segurança Interna, em cooperação com o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, parte do Departamento do Comércio, tem uma tarefa complexa: encontrar maneiras de avaliar o desempenho de robôs para que eles possam ser comparados de maneira justa.

"Na verdade, estamos testando os testes", disse Elena Messina, líder de um grupo de trabalho sobre sistemas de conhecimento, parte do instituto de padrões, em Gaithersburg, Maryland. O exercício se encerrou na sexta-feira.

Gary Sera, diretor interino do serviço de extensão universitária da Universidade Texas A&M, disse que o uso regular de robôs em trabalho de resgate "está por acontecer em breve". Ele disse que as principais limitações são a tecnologia de sensores e a duração das baterias.

J. Robert McKee, diretor de emergências e resgate do serviço de extensão e também líder da Força-Tarefa Texas Um, uma das duas unidades de resgate do Estado, disse que ele tinha ótimas expectativas quanto a trabalhar com robôs em emergências reais.

Em Disaster City, cerca de 100 quilômetros a noroeste de Houston, as pistas de obstáculos incluem "campos de percursos aleatórios" formados por blocos de cores diferentes e "diferentes níveis de agressividade", nas palavras de Messina. Ela disse que os robôs custam entre US$ 5 mil e US$ 200 mil.

Um dos locais combina elementos do terremoto da Cidade do México à explosão do World Trade Center, o atentado contra o edifício federal em Oklahoma City e o ataque terrorista contra o Pentágono, com veículos esmagados e modelos plásticos de partes decepadas de corpos espalhados pelo cenário, para tornar o panorama mais realista.

Satoshi Tadokoro, do Japão, estava posicionando algo parecido com uma cobra através de um buraco no concreto. Na verdade, era uma Câmera Ativa de Observação, formada por quase 10 metros de cabo vibratório envolto em revestimento plástico e capaz de rastejar cinco centímetros por segundo, penetrando fendas em edifícios e no solo, iluminando-as e transmitindo imagens de vítimas soterradas ou fundações perigosamente abaladas.

"É a primeira vez que o testamos fora do Japão", diz Tadakoro, professor de ciência da informação na Universidade Tohoku, em Sendai, e presidente do laboratório do Instituto Internacional de Sistemas de Resgate em Kobe, onde o aparelho foi desenvolvido.

Ao contrário da maioria dos robôs, este fica conectado por um cabo ao corpo do operador. Outros são operados por controle remoto, como consoles de videogame, ou por meio de laptops.

Há outros dispositivos exóticos que penetram em lugares complicados e obtêm imagens sobre aquilo que os cerca, incluindo a EyeBall R1, uma esfera de 7,6 centímetros de diâmetro, e o ToughBot, que se assemelha a uma carretilha de vara de pescar. O Dragon Runner, que se assemelha à parte inferior de um carrinho de brinquedo, pode inverter sua posição para galgar encostas íngremes, e Marv e Matilda se parecem com pequenos tanques de guerra reduzidos aos seus elementos básicos.

Uma das salas contém um labirinto; um operador estava usando um computador para manobrar um Talon equipado com câmera para contornar os obstáculos, mas o robô esbarrava repetidamente nas paredes de papelão, e tombava.

O exercício, de acordo com Salvatore Schipani, cientista social do instituto, tinha por objetivo compreender os problemas do operador, forçado a manobrar por meio de uma tela, "sem retorno sensório e sem indicações sinestésicas".

Meyer, ao lado, fazia seu AirRobot girar em torno de sua cabeça em um círculo, como uma abelha feliz. "É um inseto muito pacífico", disse ele sobre o robô, cujos modelos custam entre US$ 36 mil e US$ 52 mil.

Tadução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times

Jessica Kourkounis/The New York Times
Tadokoro opera a Câmera Ativa de Observação, um robô óptico que parece uma cobra, capaz de rastejar cinco centímetros por segundo
Tadokoro opera a Câmera Ativa de Observação, um robô óptico que parece uma cobra, capaz de rastejar cinco centímetros por segundo

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