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Terça, 26 de junho de 2007, 09h25 Atualizada às 14h46

iPhone muda a imagem dos celulares

Laura M. Holson

O iPhone só entrará em venda na sexta-feira, mas Steve Jobs, o presidente-executivo da Apple, já começou a mudar a percepção do público quanto aos celulares, de uma forma rápida de ligar para um amigo a um aparelho charmoso e capaz de lidar com toda espécie de mídia. Ao fazê-lo, ele forçou os executivos do cinema e da telefonia móvel a reagir por meio de investimento pesado nas mais recentes tendências, sob pena de ficarem para trás caso optem por ignorá-la.

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Os fabricantes de celulares estão correndo para oferecer novos produtos capazes de competir com a tela de toque do iPhone. As operadoras de telefonia móvel também parecem mais dispostas a ouvir os conselhos de seus parceiros. E, em Hollywood, onde as táticas nada convencionais de Jobs são conhecidas, os executivos de mídia estão se preparando avidamente para uma nova era, e esperam ser capazes de colocar mais conteúdo no lugar mais importante: as mãos dos consumidores.

Dois anos atrás, David Ulmer, diretor sênior de produtos de entretenimento na Motorola, e seus colegas receberam um "não, obrigado", como resposta das operadoras de telefonia móvel, ao tentarem propor um celular equipado com tela de toque. "Agora, estamos encontrando muito mais facilidade para convencer as pessoas a conversar conosco", disse Ulmer. "A Apple mudou a percepção quanto aos atrativos de um celular. Agora, todo mundo quer aderir. É um mundo inteiramente novo. Estamos negociando com todo mundo: Universal Studios, Time Warner, o mercado inteiro".

Mas talvez a maior mudança seja a idéia de que, em futuro não tão distante, esses diversos grupos ¿ que até o momento vêm colaborando, ainda que a contragosto - possam se tornar concorrentes, à medida que os consumidores exigem mais e melhor acesso à mídia, e passam a se incomodar menos e menos com quem o oferece.

Há anos, operadoras de telefonia móvel como AT&T, Verizon Wireless e Sprint vêm controlando severamente aquilo que os usuários de celulares podem assistir, quando podem fazê-lo e em que tela o farão ¿ mais ou menos como as redes faziam, na televisão, antes que as novas tecnologias as forçassem a relaxar seu domínio. Muita gente, em Hollywood e no Vale do Silício, espera que os recursos multimídia do iPhone venham a facilitar aos consumidores mais apegados aos seus celulares a realização de atividades semelhantes às que se acostumaram na web: assistir a seus programas de TV favoritos, baixar mapas, enviar mensagens de e-mail a amigos e trocar arquivos de vídeo.

Na primeira das muitas tentativas vindouras de tornar o uso da web mais prático nos celulares, a Apple criou um aplicativo próprio para que usuários possam receber vídeos do YouTube via rede Wi-Fi. Com isso, mais consumidores deixarão completamente de lado as redes convencionais de telefonia sem fio. Essa perspectiva, embora atraia as fabricantes de celulares e as empresas de mídia, assusta as operadoras, caso os consumidores comecem a considerá-las irrelevantes.

"O vídeo, em especial, tinha um muro em sua frente", disse John Smelzer, gerente geral de operações móveis da Fox Interactive Media, em referência ao acesso limitado e complicado da maioria dos consumidores a notícias, esportes e entretenimento, em seus celulares convencionais. "É a antítese do que vem acontecendo na web. Qualquer aparelho que reproduza a experiência da Internet é bom para todo o setor. Isso nos ajudará a encontrar uma audiência de massa", disse.

Até mesmo os concorrentes de Jobs, que não demoraram a apontar as limitações do iPhone, como o fato de que só esteja disponível via AT&T, dizem que ele provavelmente convencerá as relutantes operadoras de telefonia móvel a prestar mais atenção aos desejos de seus usuários. "O iPhone é um aparelho fantástico, mas eles não controlam a rede", disse Craig Shapiro, vice-presidente de estratégia e aquisição de conteúdo na Helio, uma fabricante de celulares e provedora de serviços para eles. "Para que essas coisas funcionem, porém, é preciso que todo mundo se integre ao programa".

As empresas de comunicação sabem que precisam se adaptar ou correm o risco de ficar para trás. Glenn Lurie, presidente de distribuição nacional das operações de telefonia móvel da AT&T, disse em entrevista que foi precisa a intervenção de um fator externo, como Jobs, para gerar interesse quanto ao potencial dos celulares de parte do setor de telefonia móvel. "A telefonia móvel existe há 20 anos, e as pessoas sempre a consideraram um negócio bastante complexo", disse Lurie. "Jobs e a equipe da Apple decidiram tratar a questão de uma perspectiva diferente".

O mais importante é que os proprietários de produtos Apple costumam se manter fiéis. Um recente artigo na Harvard Business Review afirmava que, em contraste com os compradores de bens eletrônicos de consumo, os clientes de serviços de telefonia móvel estão entre os mais insatisfeitos do mercado. Os planos, preços e serviços são confusos. Os contratos são restritivos. A qualidade de serviço das operadoras é imprevisível. E as primeiras tentativas de oferecer vídeo causaram mais frustração que atração.

"Elas não facilitam a vida dos usuários", disse Bill Sanders, vice-presidente de programação para aparelhos móveis na Sony Pictures Television International. "Todo mundo com quem converso diz que há isso e aquilo de errado com o iPhone. Mas os consumidores mal podem esperar para tê-lo nas mãos. Isso é porque a Apple torna suas vidas mais fáceis".

The New York Times

Divulgação
iPhone: fabricantes de celular correm para oferecer produtos capazes de competir com ele
iPhone: fabricantes de celular correm para oferecer produtos capazes de competir com ele

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