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Domingo, 8 de julho de 2007, 10h10

'iPhonemania' amplia discussão sobre dependência

A mania do IPhone, novo aparelho da Apple que combina iPod, navegador de Internet e telefone celular, representa mais um passo na crescente dependência pela mais recente invenção em aparelhos eletrônicos. O "Jesusphone", como foi apelidado por alguns blogueiros por causa das poderosas capacidades, gerou um furor sem precedentes nos Estados Unidos. É o que poderia ser chamado de dependência eletrônica, com antecedentes em suportes como o "telefone inteligente" BlackBerry - que gerou o fenômeno conhecido como crackberry (que se reflete na crackberry.com, favorita dos milhares de usuários dispostos a usar os dedos no minúsculo teclado).

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As longas filas em frente aos estabelecimentos da Apple no dia do lançamento foram muito maiores que as formadas para esperar produtos como o PlayStation, Nintendo e o próprio iPod.

A histeria pelo produto é tão grande que alguns compradores levaram seus notebooks à loja da Apple para testar o celular ali mesmo, sem esperar chegar em casa. Ao contrário de outros telefones, o iPhone é ativado online, na pagina iTunes da Apple, o que facilitou o grande sucesso de vendas, pois o usuário não precisa esperar que o funcionário da loja ative o celular, um processo que pode levar mais de uma hora.

Apesar de ter chegado ao mercado há tão pouco tempo, a dependência que o produto poderia causar já é tema de blogs como o psychiatrist-blog.blogspot.com, enquanto alguns comentários confirmam a loucura coletiva do fenômeno. Entre eles estão os de Leander Kahney, diretor da famosa revista de tecnologia Wired e autor de The Cult of Mac (ou "O culto ao Mac") que disse que "as pessoas serão capazes de vender seus filhos para comprar o aparelho".

John Yewell, colunista do Monterey County Herald na Califórnia, afirma que não há dúvidas de que em algum lugar dos Estados Unidos há um grupo chamado "Viciados em Tecnologia Anônimos". "Agora, com o iPhone será muito mais fácil ignorarmos uns aos outros", diz Yewell.

De acordo com o professor de psicologia da Universidade de Maryland Kent Norman "as pessoas serão tão dependentes da conexão com a informação que não serão capazes de viver sem isso. Acho que enfrentamos uma dependência do iPhone".

Os que tinham dúvidas sobre até onde chega a histeria não precisam mais recorrer ao Google. Uma busca pelo termo iPhone agrega mais de 141 milhões de resultados, ou seja mais que Paris Hilton e Britney Spears combinadas.

A Apple, uma empresa que domina como poucas a arte de congregar os usuários numa espécie de seita, vai além com um produto que coloca o computador portátil no bolso graças a, entre outras coisas, ter grande tela, capacidade de processamento de textos e interface inovadora.

A empresa de Cupertino, no Vale do Silício, não revelou os números de vendas, mas os analistas estimam que nos primeiros três dias foram comercializados entre 500 mil e 700 mil unidades do produto, o que representa cerca de US$ 250 milhões. Por outro lado, a maioria dos usuários comprou o modelo mais caro (US$ 599 por 8 GB de memória, contra US$ 499 com capacidade de 4 GB).

Como afirmou um porta-voz da AT&T, companhia telefônica que tem os direitos exclusivos do iPhone durante os próximos cinco anos, foram vendidos "mais IPhones no primeiro fim de semana que no primeiro mês de vendas de qualquer artigo na história da AT&T".

A porta-voz da Apple Natalie Kerris disse que as lojas estão renovando os estoques todos os dias. "A recepção ao iPhone foi incrível", disse Kerris. Tão incrível que a companhia dispõe de uma ferramenta (no endereço www.apple.com/retail/iPhone) que permite ao usuário consultar as lojas mais próximas onde haverá IPhones disponíveis no dia seguinte.

EFE

AP
Na Califórnia, este homem chegou a dormir na fila de espera pelo iPhone
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