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Segunda, 23 de julho de 2007, 10h13

Mercado paralelo de cibercafés cresce na China

Licenças para operar cafés que oferecem acesso à Internet são revendidas ilegalmente na China. O comércio floresce desde março, quando o governo proibiu a emissão de novas permissões. Proprietários desse tipo de estabelecimento perceberam que podem fazer mais dinheiro vendendo o negócio do que propriamente administrando-o.

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Segundo a agência de notícias Xinhua, uma autorização pode ser revendida por milhares de vezes o valor originalmente pago por um trâmite burocrático desses.

"Hoje em dia uma licença deve valer até mais de um milhão de yuans (R$ 246 mil)", acredita Yang, ex-dono de Internet café em Xangai, que vendeu o direito de operação do negócio por 350 mil yuans (R$ 86 mil) há quatro anos atrás.

O comprador do Internet-café de Yang revendeu o negócio por mais de 500 mil yuans (R$ 123 mil) no ano passado e o atual proprietário não revela detalhes sobre o atual valor do estabelecimento.

Sem controle
De acordo com dados do Ministério da Informação e Indústria, em março existiam na China por volta de 113 mil cybercafés atendendo a uma população de milhões de internautas.

Apenas no ano passado, o numero de usuários de Internet aumentou em 30%, chegando a 132 milhões em dezembro, de acordo com o Centro de Informação da Rede Internet (Internet Network Information Centre).

Autoridades reconhecem o problema do comércio ilegal de licenças por preços inflacionados, mas admitem que não têm como controlar esse tipo de especulação, pois se trata de um acordo feito entre terceiras partes.

O governo não possui estatísticas sobre revenda de licenças comerciais.

Censura
Em março o governo suspendeu a liberação de novas licenças sob o argumento de que a internet é nociva aos jovens, depois que inúmeros casos de dependência do uso da rede ganharam destaque na mídia nacional.

Na China é proibida a entrada de menores de 18 anos em Internet cafés e lanhouses. O vício da Internet e, principalmente, de jogos eletrônicos é um problema no pais, onde existem clínicas especializadas nesse tipo de doença.

Os tratamentos são semelhantes aos aplicados em pacientes viciados em drogas pesadas e incluem reclusão e choques elétricos.

Mas apesar da maior parte da sociedade ver com bons olhos as medidas do governo para proteger a juventude do vício, críticos questionam se a proibição dos cibercafés não teria por objetivo censurar e dificultar o maior acesso à informação.

O governo admite que investe em monitoramento online e bloqueia o acesso a sites que contêm assuntos politicamente "delicados". Como é o caso, por exemplo, de páginas que fazem referência ao Massacre da Praça da Paz Celestial, que criticam o partido comunista ou que reivindicam direitos separatistas ao Tibet.

BBC Brasil

Reuters
Em março, existiam cerca de 113 mil cibercafés atendendo os internautas chineses
Em março, existiam cerca de 113 mil cibercafés atendendo os internautas chineses

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