
Atualizada às 14h19 John Markoff
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Em um duelo de esperteza entre seres humanos e máquinas que foi travado esta semana, um software executado em um laptop comum jogou relativamente bem, mas mesmo assim terminou derrotado em um torneio de pôquer contra dois conhecidos jogadores profissionais.
A disputa, que ganhou o nome de "Primeiro Campeonato de Pôquer entre Homens e Máquinas", com prêmio total de US$ 50 mil, colocou Phil Laak e Ali Eslami, dois jogadores profissionais de pôquer, em ação contra um programa criado por uma equipe de pesquisadores de inteligência artificial da Universidade de Alberta. O nome que eles escolheram provavelmente não seria usado como apelido por nenhum jogador de pôquer renomado: Polaris.
Acredita-se que o pôquer seja um desafio mais complexo do que jogos como xadrez e damas, para os designers de software. Os cientistas da computação têm de desenvolver estratégias e logaritmos diferentes para enfrentar as incertezas introduzidas pelas cartas ocultas que cada jogador detém, além de levar em conta fatores de risco de difícil quantificação, como a prática do blefe.
No passado, a pesquisa se concentrou no xadrez e no jogo de damas. Em 1997, o Deep Blue, um supercomputador de xadrez desenvolvido por pesquisadores da IBM, derrotou Garry Kasparov, então campeão mundial do esporte. Em 1994, pesquisadores da Universidade de Alberta venceram o campeonato mundial de damas, e no começo deste mês anunciaram o desenvolvimento de um programa de damas que não pode ser derrotado; o melhor resultado que um oponente humano pode conseguir é um empate.
No entanto, Jonathan Scheffer, diretor do departamento de ciência da computação da Universidade de Alberta e pesquisador que iniciou os estudos sobre o pôquer em sua disciplina, 16 anos atrás, afirmou que os avanços que estão sendo conseguidos bi desenvolvimento do software de pôquer provavelmente terão mais aplicação no mundo real do que a pesquisa sobre xadrez.
"Minha hipótese é a de que o pôquer é mais difícil que o xadrez, para os computadores, e os resultados de pesquisa obtidos no trabalho com pôquer terão aplicação muito mais ampla do que aqueles que surgiram da pesquisa com o xadrez", disse.
O interesse dos pesquisadores se desviou a jogos como o pôquer, nos últimos anos, em parte porque o xadrez já não atrai tanto interesse e em parte porque estão sendo realizados rápidos progressos no desenvolvimento de algoritmos que podem ser aplicados em muitas atividades reais, em áreas como comércio e negociação, disse Tuomas Sandholm, cientista da computação na Universidade Carnegie Mellon.
A versão do pôquer usada no torneio da segunda e terça-feira, parte da reunião anual da Associação para o Avanço da Inteligência Artificial, foi a popular variedade conhecida como Texas Hold¿Em, sem limite de apostas. Nessa variedade do jogo, algumas das cartas ficam ocultas, e outras podem ser usadas por ambos os lados. Cada mão é disputada em quatro rodadas, durante as quais cada participante tem o direito de elevar sua aposta, acompanhar as apostas alheias ou desistir. Depois de quatro rodadas de competição, o jogador que tivesse acumulado mais dinheiro seria declarado vencedor.
Ao contrário dos torneios de xadrez, caracterizados por concentração extrema e longos períodos de silêncio, o torneio de pôquer realizado em um hotel de Vancouver teve atmosfera festiva, com cada um dos participantes humanos comentando o estilo de jogo do software Polaris, diante de uma platéia de centenas de pessoas.
Laak, que leva o apelido "Unabomber" devido aos óculos escuros e as casacos com capuz que sempre usa, ocasionalmente gesticulava de maneira extravagante na direção da tela do computador, e muitas vezes descreveu as jogadas da máquina como "doentes" ¿ seu termo para designar uma ação inesperada ou extraordinária. Entre os torcedores de Laak estava a atriz Jennifer Tilly, que também é conhecida como jogadora profissional de pôquer.
A disputa teve de ser adaptada ao computador. Para contrabalançar o fator sorte, os jogadores humanos foram colocados em cartas separadas, e a mão que o jogador humano recebia em uma das salas era a mesma que era dada ao computador na segunda.
O formato também eliminava um dos aspectos cruciais do pôquer, o da percepção de indícios, como expressões faciais, que permitem aos jogadores estimar com bastante precisão o que seus oponentes têm na mão.
Eslami e Laak são ambos figuras conhecidas no mundo do pôquer, têm boas habilidades matemáticas e conheciam as técnicas usadas por seu oponente artificial. Ainda que os dois não estejam entre os melhores jogadores mundiais de pôquer, os cientistas argumentaram que os conhecimentos matemáticos de que desfrutam os tornavam oponentes mais difíceis, para a máquina, do que jogadores com classificação mais alta nos rankings do pôquer.
Na primeira rodada, os humanos e o computador empataram, ainda que o computador levasse pequena vantagem no total de dinheiro. (A vantagem foi desconsiderada, para acomodar variações estatísticas.) Na segunda rodada, o Polaris derrotou pesadamente os seus adversários humanos, causando desânimo a Laak e Eslami.
Mas na terceira rodada eles se recuperaram, aproveitando o fracasso de uma mudança de estratégia da máquina. Na quarta e última rodada do torneio, Laak e Eslami venceram com facilidade, mas não antes que o Polaris vencesse uma mão de US$ 240 com um royal flush que superou a trinca de Eslami. Os dois jogadores humanos disseram que o Polaris havia sido um oponente muito mais difícil do que os adversários humanos usuais.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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The New York Times
Programa Polarium foi derrotado por jogadores profissionais
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