inclusão de arquivo javascript

Tecnologia

 
 

Sites pornôs de Israel atraem cada vez mais árabes

23 de agosto de 2007 10h28 atualizado às 11h02

Sites como o Ratuv criaram versões em árabe para atender a demanda crescente. Foto: Reprodução

Sites como o Ratuv criaram versões em árabe para atender a demanda crescente
Foto: Reprodução

O conflito entre palestinos e israelenses ainda não impediu que cada vez mais árabes freqüentem sites pornográficos de Israel, onde podem encontrar vídeos estrelados por supostas soldados e agentes femininas do Mossad (serviço secreto do país).

» Designer lança site pornográfico para cegos
» Homem é multado por divulgar pornografia online
» Internet prejudica indústria pornô, dizem produtores
» Chat: tecle sobre a notícia

A edição eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth destacou este fenômeno, publicando que servidores de vários sites pornográficos israelenses são visitados com assiduidade por internautas de Arábia Saudita, Tunísia, Jordânia, Egito e territórios palestinos.

Os responsáveis pelos sites calculam que estes usuários representam de 2% a 10% das visitas recebidas. Algumas páginas da Internet dedicadas ao erotismo e à pornografia chegam a oferecer serviços em árabe para estes clientes.

Nir Shahar, que toma conta do site pornô israelense Ratuv (úmido, em hebraico), afirma que sua empresa produz filmes com conteúdo tipicamente local. Neles aparecem meninas vestidas de soldado, de policiais e de agentes do Mossad.

Shakar disse que nos últimos tempos a demanda por estes conteúdos aumentou nos países árabes, inclusive os definidos como "inimigos" do Estado. O vídeo mais visitado entre os árabes, Code name: Deep investigation, é uma paródia que fala do caso "Vanunu" (o suposto espião nuclear israelense) mostrando agentes que tentam solucionar o episódio empregando seus dotes eróticos, afirmou Shahar.

Em 1986, Mordechai Vanunu, ex-técnico do reator nuclear de Dimona, revelou a um jornal de Londres o segredo mais bem guardado por Israel: a posse de armas atômicas. Vanunu foi seduzido posteriormente por uma agente do Mossad conhecida como Cindy. O ex-técnico foi preso na Itália, acabou julgado em Israel por alta traição e foi condenado a 18 anos de prisão.

Shahar afirma que por causa da grande demanda de visitantes de países que não mantêm relações diplomáticas com Israel, entre eles Iraque, Arábia Saudita e Kuwait, decidiu-se disponibilizar uma versão árabe do site. "Recebemos várias mensagens de agradecimento de clientes árabes. Muitos nos perguntam se as mulheres soldados realmente servem no Exército israelense", disse.

Gil Naftali, dono de outro servidor de pornografia israelense, SexV, afirma que seu site recebe centenas de internautas de países onde a pornografia é proibida. No entanto, ele decidiu não oferecer uma versão em árabe, já que as fotos e vídeos oferecidos não precisam de muitas explicações.

Segundo Naftali, mais de 2 mil "visitantes" de Riad, capital da Arábia Saudita, acessaram o site em julho. O tempo médio das visitas foi de 17min23s.

Um habitante de Jenin (Cisjordânia) disse à agência Efe que os usuários destes sites são cada vez mais jovens. Meninos e meninas que buscam "uma forma de dar asas à imaginação" e superar as barreiras culturais e religiosas impostas por uma sociedade muçulmana. "Eles acessam as páginas em cybercafés, pois em suas casas teriam que esperar até que todos os familiares dormissem para poderem se conectar a estes sites", declarou esse morador da Cisjordânia, sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e onde a tolerância é maior que em Gaza.

Neste outro território palestino, controlado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), os ativistas islâmicos incendiaram nos últimos meses vários cybercafés. Eles alegaram que estes locais incitavam jovens e adultos a verem pornografia.

Tzachi, um dos responsáveis pelo site de conteúdo sexual mais popular de Israel, o Domina, resume bem a situação. Na sua página na Internet até 10% dos visitantes têm o árabe como idioma materno. Ao ser questionado se as visitas seriam uma forma de comunicação com os árabes, Tzachi responde de forma negativa, antes de deixar claro que se trata de "um mero negócio". "A pornografia não nos trará a paz, mas pelo menos obtemos algum dinheiro dos bolsos de nossos inimigos", encerrou.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.