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Terça, 11 de setembro de 2007, 11h01

Receitas de bombas na Internet seriam 'ridículas'

Instruções para a fabricação caseira de armas químicas, biológicas e, inclusive, nucleares são fáceis de se encontrar na Internet, embora não façam mais do que alimentar a fantasia dos pretensos terroristas, já que essas "receitas" são ridículas, segundo especialistas internacionais.

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Pesquisadores reunidos em um simpósio em Herzliya, próximo a Tel Aviv, concluíram que há poucas possibilidades de que uma pessoa, a partir dos cibermanuais, chegue a produzir uma arma que possa provocar grandes danos, embora as repercussões de apenas um ataque desses possam ser muito grandes.

"A ameaça que essas informações disponíveis na rede realmente representa foi exagerada", assegura Anne Stenersen, do Instituto de Pesquisas de Defesa norueguês, que apresentou um estudo dedicado à questão no congresso intitulado "O impacto global do terrorismo".

Seu relatório sobre as receitas químicas, biológicas, radiológicas e nucleares em páginas islâmicasda internet considera que, "em caso algum, servem para se fabricar armas de destruição em massa".

Em geral, são instruções concretas, porém muito básicas, e outras inverossímeis, do tipo "como enriquecer urânio em sua cozinha", explicou a especialista no evento organizado pelo Instituto Internacional Antiterrorista. "Os fóruns ocidentais especializados, por exemplo, na fabricação de explosivos são muito mais sofisticados, e portanto, perigosos", disse Stenersen.

A pesquisadora ilustrou sua apresentação com alguns exemplos que extraídos de sites jihadistas; Para fabricar uma "bomba suja": "Pegue o material radioativo e coloque nele o explosivo que tiver à disposição". Sobre a fabricação de uma arma biológica, no fórum al-Firdaws: "Irmão mujahedine, podemos fabricar isso com um equipamento simples e as substâncias disponíveis? A pessoa que a fabrica se contaminará? Por favor, utilize termos simples porque não temos formação em biologia".

De acordo com o holandês Maarten Nieuwenhuizen, do programa científico da Otan, a fabricação destas armas "não é tão fácil assim". "Testamos várias dessas fórmulas em nosso laboratório e não funcionam quase nunca". "Mas, por outro lado, o objetivo não tem porque ser causar muitas mortes. O menor incidente deste tipo poderá causar traumas profundos... E há milhares de possibilidades", acrescentou.

Ilja Bonsen, do centro holandês TNO Defense, vai mais além na advertência: "Há boas fórmulas disponíveis na Internet, mas felizmente estão ocultas entre muitas ruins. De qualquer forma, é perigoso, porque o objetivo do terrorismo mais que a destruição maciça é a perturbação maciça".

A pesquisadora Stenersen encontrou em portais islâmicos até dez manuais sobre a fabricação de armas, um deles de 480 páginas sobre bombas nucleares, "muito popular, pois foi consultado 30 mil vezes", disse. Mas tranquilizou: "seu autor não é um cientista e é muito básico".

AFP

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