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Internet 10 anos


 

Internet
Quinta, 13 de setembro de 2007, 12h27  Atualizada às 13h05
Novos sites sociais são dirigidos a pessoas mais velhas
 
Matt Richtel
 
The New York Times
Pessoas mais velhas são mais constantes, acreditam desenvolvedores
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As pessoas mais velhas são mais constantes. Essa é a mais recente visão do Vale do Silício. Os investidores em tecnologia e empresários, há muito obcecados em procurar conexão com os adolescentes e os jovens adultos, agora estão criando uma série de novos sites de redes sociais dirigidos às pessoas da geração baby boom (os norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964) ou ainda mais velhas.

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Os sites portam nomes como Eons, Rezoom, Multiply, Maya's Mom, Boomj e Boomertown. Têm um estilo semelhante ao do Facebook - mas com rugas. E estão tentando aproveitar aquilo que os investidores têm visto como característica lucrativa dos usuários mais velhos da web: a probabilidade de que eles saltem de um site para outro, acompanhando a moda da Internet, é bem menor.

"Os adolescentes são inconstantes; eles ficam por algum tempo, custam dinheiro ao operador e depois se vão", disse Paul Kedrosy, especialista em capital para empreendimentos e responsável pelo blog "Infectious Greed". Por exemplo, o Friendster, site de redes sociais mais procurado alguns anos atrás, foi substituído pelo Facebook e pelo MySpace.

"As faixas etárias mais velhas oferecem diversas características interessantes", acrescentou Kedrosy, "e uma das mais importantes é a de que elas são mais constantes".

Essa perspectiva de constância, ainda que relativa, está ajudando a causar uma nova onda de investimentos em sites dirigidos à geração baby boom e a pessoas mais velhas, os quais oferecem a pessoas de gostos e idades assemelhados fóruns de discussão e encontros, serviços de fotografia, notícias e comentários, e muita conversa sobre dietas, boa forma e saúde.

Na semana passada, a VantagePoint Ventures, uma das primeiras investidoras no MySpace, anunciou que havia liderado uma rodada de financiamento de US$ 16,5 milhões para o Multiply, um site de redes sociais dirigido a pessoas que já estão assentadas na vida, e não em busca de alguma coisa indefinida.

Em agosto, a Shasta Ventures comandou uma operação de financiamento de US$ 4,8 milhões para o TeeBeeDee, um site que encerrará seus testes e entrará em operação regular este mês.

Também em agosto, a Johnson & Johnson investiu entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na aquisição do Maya¿s Mom, um site de redes sociais para pais, de acordo com uma pessoa familiarizada com o acordo. O site existia há apenas um ano.

As redes sociais até agora se concentraram especialmente em empresários e jovens, porque eles conhecem bem tecnologia e são um público procurado em termos publicitários.

Mas existem 78 milhões de norte-americanos da geração baby boom - número cerca de três vezes superior ao de adolescentes - e a maioria deles usa a Internet e se familiarizou com o uso de computadores no trabalho. De fato, o número de usuários de Internet de mais de 55 anos é mais ou menos igual ao de usuários na faixa dos 18 aos 34 anos, de acordo com a Nielsen/NetRatings, um grupo de pesquisa de audiência.

A criadora do TeeBeeDee é Robin Wolaner, que em 1987 fundou a revista "Parenting". Naquele ano, pelo menos sete revistas sobre a questão da criação de filhos foram criadas, e Wolaner afirma que está percebendo o mesmo súbito reconhecimento de que os empresários da Internet precisam responder à demanda dos norte-americanos mais velhos.

Ela desenvolveu a idéia do site, conta, "conversando com amigos, que brincaram dizendo que a gente decerto não ia se reunir em sites de aposentados. Isso me levou a pensar onde nos reuniríamos". (Além disso, afirma, ela queria encontrar uma comunidade onde pudesse discutir uma plástica de rosto.)

"Existe um reconhecimento de que a geração baby boom agora usa a Internet exatamente como os jovens", ela afirma. "A única coisa que ela não fez foi criar redes sociais online".

A questão é determinar se eles desejarão criar redes em número suficiente para justificar as dezenas de milhões de dólares investidos nesse tipo de empreendimento. De fato, o interesse de empresários e de grupos de capital para empreendimentos levou a um pequeno boom nos sites que atendem à geração baby boom, criando o que eles vêem como massa crítica mas que também pode ser causa de uma inevitável queda futura.

Alguns dos usuários mais velhos estão se deixando atrair por esses sites porque a experiência, dizem, é mais confortável para eles do que aquilo que encontraram no MySpace, Facebook ou Friendster.

"Discuti meu divórcio, meus problemas médicos e a questão de quando eu deveria a começar a procurar por novos parceiros", diz Martha Starks, 52 anos, técnica em óptica aposentada, de Tucson. Ela dedica uma ou duas horas diárias a um site chamado Eons. "São coisas que eu certamente não discutiria com alguém de 20 anos".

Ela diz que conversa sobre assuntos mais leves, igualmente, como filmes e música, com pessoas que sabem do que ela está falando. "Os jovens nem sabem quem é Aretha ¿ela é a rainha do soul", diz.

Meg Dunn, 38 anos, que está criando três filhos em Fort Collins, Colorado, diz ter experimentado o MySpace e o Facebook, mas a atenção curta dos usuários não a atraiu. Agora ela usa o Multiply, onde troca fotos de família com parentes e discute assuntos substantivos como saúde e doenças que afetam os idosos.

"Sinto que estou fincando raízes, construindo relacionamentos", afirma. "No MySpace, minha impressão era a de que as pessoas faziam contato e depois desapareciam".

Lee Goss, presidente da Eons, cujo desenvolvimento foi financiamento pela Sequoia Capital e pela General Catalyst, duas empresas de capital para empreendimentos, disse que os sites dirigidos a audiências mais velhas podem não crescer tão rápido quanto o MySpace, mas teriam mais longevidade.

"Não é segredo que atrair alguém de 20 e poucos anos e adepto da tecnologia é mais fácil do que atrair alguém de 50 ou 60 anos", disse. "Mas nossa audiência, apesar de mais difícil de conquistar, é mais durável e constante".
 

The New York Times