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Terça, 25 de setembro de 2007, 11h33 Atualizada às 11h36

Orange será a distribuidora do iPhone na França

Cécile Ducourtieux

Depois de suas apresentações em Londres, no dia 18 de setembro, e em Frankfurt, no dia seguinte, Steve Jobs, o presidente-executivo da Apple, previa anunciar com grande pompa, na quinta-feira, o lançamento do iPhone, fabricado por sua empresa, na França. Mas o presidente da divisão de telefonia móvel da France Telecom, Didier Lombard, cuja Orange foi selecionada como operadora exclusiva do iPhone no mercado do país, estava em viagem ao Vietnã.

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Portanto, foi de lá, de uma sala de conferências em Hanói, que Lombard terminou confirmando o menos secreto dos segredos ¿boatos davam conta do acordo entre as duas companhias já há diversas semanas. Lombard ainda assim não acrescentou muitos detalhes. O celular da Apple (que combina os recursos do player de mídia iPod a um telefone, permite também acesso à Internet, e se caracteriza pelos comandos integralmente dependentes de uma tela de toque), deve chegar às lojas da Orange "antes do Natal".

O modelo não será subsidiado pela operadora, ao contrário da prática habitual na França. Os consumidores terão de pagar um preço salgado pelo aparelho (provavelmente entre os 300 e os 400 euros), e assinar com a France Telecom por um período prolongado, de maneira semelhante ao que a fabricante norte-americana de eletrônicos fez em seu país de origem com a AT&T, no Reino Unido com a O2 e na Alemanha com a divisão T-Mobile da Deutsche Telekom.

O acordo para a distribuição exclusiva do iPhone pela Orange era esperado, quase lógico. A Apple, que está apenas começando no mercado de telefonia e tem ambições de longo alcance no setor (Steve Jobs fala em vender 10 milhões de celulares daqui até o final de 2008), tinha interesse em assinar com as distribuidoras locais de maior porte, garantindo que seu aparelho encontrasse o maior público possível. Na França, a Orange dispõe de mais de seis mil pontos de venda, número consideravelmente maior do que a SFR, a segunda colocada no mercado de telefonia móvel do país.

Mercado saturado
Para a subsidiária da France Telecom, o acordo com o grupo norte-americano também parecia especialmente importante, sobretudo em termos de imagem, já que a Apple continua a ser sempre uma marca prestigiosa, lançadora de tendências.

Havia muitos boatos em circulação sobre os termos dos contratos assinados entre a Apple e seus distribuidores exclusivos em cada mercado europeu. Uma das informações aventadas era a de que as operadoras de telefonia móvel teriam concordado em pagar uma parcela do dinheiro angariado com suas assinaturas à empresa californiana. Mas Lombard não confirmou esse boato. É provável que a informação proceda, mas não se sabe exatamente sobre que porção do faturamento das operadoras de telefonia móvel incidirá a comissão da Apple ¿ sobre o total faturado junto aos acionistas ou sobre a receita dos serviços de dados que eles utilizem (mensagens instantâneas, downloads de música)? Em todo caso, essa forma de parceria "é uma completa novidade", avalia o analista de um grande banco francês, acrescentando que "até o momento, as operadoras de telefonia móvel não haviam aceitado dividir receitas com quaisquer fornecedores de conteúdo (mídia) ou com os grupos de varejo de aparelhos (como no caso da Phone House), e muito menos com uma fabricante de celulares".

Será que o iPhone obterá na França sucesso semelhante ao obtido nos Estados Unidos? No mercado norte-americano, o modelo vendeu cerca de um milhão de unidades desde que foi lançado, em 29 de junho. É um resultado respeitável, mas não excepcional: os celulares de luxo como o Razr, da Motorola, foram vendidos em número muito maior em prazo semelhante. "Já existem consumidores que querem saber a data em que o iPhone estará à venda em nossas lojas", disse o gerente de uma das lojas da Orange.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Le Monde

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