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Eletrônicos
Segunda, 15 de outubro de 2007, 13h21 
Restaurante "Big Brother" é aberto na Holanda
 
Reuters
No restaurante do futuro, o consumidor é quem marca no computador o que foi consumido
No "restaurante do futuro", o consumidor é quem marca no computador o que foi consumido
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Você comeria mais salada se almoçasse num lugar cheio de plantas? Luzes e ambiente romântico fazem com que você fique mais tempo à mesa? Mau atendimento faz com que você decida não almoçar? O "restaurante do futuro" aberto na Universidade de Wageningen, na Holanda, espera ajudar a responder perguntas como estas e outras, monitorando os hábitos alimentares dos clientes por meio de dezenas de câmeras.

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"Queremos descobrir o que influencia as pessoas: cores, paladar, personalidade. Tentamos focar em um estímulo por vez, como a luz", explica Rene Koster, diretor do Centro de Estudos Inovadores de Consumo. "Este restaurante é um parque de possibilidades, podemos pedir aos atendentes que sejam menos amigáveis e pouco presentes, ou o contrário", afirma."As mudanças são pequenas e feitas aos poucos, se você muda todos os dias é muito abrupto, as pessoas não iriam gostar".

O restaurante tem paredes de vidro, balcões em mármore negro, piso de bambu polido e caixas self-service: o usuário digita no computador o que ele consumiu, na hora de pagar. Enquanto isso, balanças embutidas se encarregam de pesar as bandejas.

A partir de uma sala de controle, os pesquisadores podem direcionar as câmeras (embutidas no teto) para dar um zoom em um determinado cliente e seus pratos. Eles observam como as pessoas entram no restaurante, quais pratos chamam a atenção delas, se elas sentam sempre à mesma mesa e quanta comida é desperdiçada.

Os freqüentadores do restaurante assinam um documento permitindo a filmagem. Mas os "espionados" não são apenas os clientes. O pessoal na cozinha também é monitorado - câmeras mostram como eles trabalham com novos dispositivos, como bancadas ajustáveis e mangueiras de limpeza.

Escolhas inconscientes
Segundo Koster, a observação traz resultados muito melhores do que aplicar questionários para as pessoas, já que muitas das escolhas são inconscientes. Ele disse que os pesquisadores experimentam variáveis como barulho, cheiro, mobília e embalagem da comida. O mesmo sanduíche de presunto e queijo fica mais atraente embrulhado em papel celofane, sob uma cobertura de vidro ou numa máquina de vendas? Eles já perceberam, por exemplo, que uma mesa na qual as cadeiras de plástico têm uma cobertura de flores cor-de-rosa está sempre ocupada.

"Posso imaginar que música ou cheiro fazem diferença", diz Marco Hoeksma, cientista que estuda o consumo para uma companhia que trabalha junto com universidade. "Será muito interessante ver o que se pode manipular", diz, enquanto ataca uma refeição típica holandesa: croquete de carne e batata.

"Você já é observado por câmeras em tudo que é ligar, tipo um 'Big Brother', então qual a diferença de ser espionado também aqui?", diz Bert Visser, cientista botânico da universidade, enquanto come um sanduíche de frango.
 

Reuters

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