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Terça, 16 de outubro de 2007, 14h13 Atualizada às 14h55

Adobe antecipa concorrência da Microsoft

Norberto Gallego

A Adobe Systems, conhecida por seus programas de desenho, manipulação fotográfica e documentos digitais, exporá esta semana em Barcelona sua nova estratégia, diante de uma audiência européia de 1,5 mil usuários: engenheiros de software, designers e criadores de publicidade e mídias interativas. Eles conhecerão pela primeira vez os detalhes da nova plataforma de desenvolvimento AIR, a pedra fundamental dos produtos e serviços que a empresa pretende lançar nos próximos meses.

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Em fevereiro, Bruce Chizen, conselheiro da Adobe, garantiu que o Apollo (o nome do projeto) será o futuro da Internet, uma revolução que vai mudar a maneira de trabalhar e desfrutar de aplicativos multimídia, na web e fora dela". Para concretizar essa ambição, a Adobe precisa garantir a lealdade dos criadores independentes de software que desenvolveram incontáveis aplicativos usando como base o mais conhecido produto da empresa, o Flash, e propiciaram a ela o domínio no mercado de software de desenho. Mas esses criadores estão sendo cortejados pela Microsoft, que gostaria de atrai-los para sua proposta alternativa de plataforma, a Silverlight, e é por isso que as novidades da Adobe prenunciam uma disputa que, na opinião de muitos observadores, se tornou inevitável quando a empresa decidiu adquirir a Macromedia, em 2005.

Kevin Lynch, o vice-presidente de tecnologia da Adobe, explica que todo o software desenvolvido com a nova plataforma poderá funcionar indistintamente em computadores, aparelhos móveis e outros dispositivos, acionados por múltiplos sistemas operacionais, e tanto em rede quanto fora dela, o que significa que será possível trabalhar sem browser e até sem conexão com a Internet. A versatilidade deriva da convicção de que os recursos gráficos completaram sua integração com a Web, e agora se iniciou uma fase em que o mercado está em busca de uma experiência associada ao vídeo interativo.

Cerca de 80% das animações e vídeos que circulam na Internet são produzidas ou editadas com software da Adobe, mas a empresa acredita que tenha chegado o momento de renovar essa liderança diante do surgimento de um concorrente poderoso. Sabe-se que o YouTube usa tecnologia Flash - os vídeos são assistidos com um Flash Player, por exemplo -, e em Barcelona será apresentada a versão beta do Adobe Media Player, software avançado de vídeo que chegará dotado de interatividade e, a partir do ano que vem, aceitará conteúdo de alta definição. Desse forma, os usuários têm a promessa de uma nova forma de receber conteúdo visual, e os detentores de direitos sobre esse tipo de conteúdo terão uma nova maneira de explorá-lo, dentro ou fora da web.

A interatividade chegará a outro programa clássico da Adobe, o Acrobat, usado universalmente para produzir e distribuir documentos em formato .pdf. Os documentos em papel, calcula a empresa, foram substituídos em tal medida por versões eletrônicas que agora é preciso que ela se adapte a um ambiente não só gráfico mas interativo, que exigirá documentos e informações compatíveis com muitos formatos.

A empresa não adotará uma mudança drástica em seu modelo de negócios, e não devemos esperar que seus programas clássicos passem a ser fornecidos sob o modelo software como serviço, afirma a empresa. Ela continuará a viver da venda de licenças, mas explorará novas fontes de renda. O Photoshop, um de seus produtos mais populares, será um dos primeiros a oferecer versão online gratuita, sob a marca Express, que terá menos recursos do que a versão profissional do software mas superará com folga os produtos gratuitos que ocupam esse espaço no mercado, graças à expansão da fotografia digital.

Tradução: Paulo Migliacci ME

La Vanguardia

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