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Terça, 16 de outubro de 2007, 15h31

Mulheres têm um jeito próprio de lidar com redes sociais

Aintzane Gastesi

Em seu curso sobre como criar e ampliar redes de contatos sociais via Internet, Rosaura Alastruey normalmente precisa se esforçar menos em explicar em que consiste o "networking" e mais em definir o que essa moderna ferramenta de contato não é. "Não se trata de uma rede de vendas, nem de uma bolsa de empregos, e nem de um novo sistema para conseguir conquistar um bom cargo, ou de uma coleção de cartões de visita", esclarece a especialista em redes de contatos que aprendeu com as fontes originais do conceito, durante uma temporada de pesquisa no Vale do Silício.

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Assim, o que é networking? "Trata-se de uma filosofia de vida", resume Alastruey, que "consiste em construir e manter relacionamentos de longo prazo que impliquem em benefício para ambas as partes". O contato pode se dar por Internet ou fisicamente, e é essencial para criar uma relação de confiança. Uma pessoa demora entre três e cinco anos para criar uma rede que realmente funcione.

De acordo com as observações de Alastruey em seus mais de oito anos de trabalho na área, as mulheres dispõem de todas as ferramentas necessárias para assimilar o conceito de envolvimento em uma rede fundamentada pelo lema "dar mais que receber". "O networking feminino se baseia exatamente no estabelecimento de relações conjuntas, e esse processo já representa um dos objetivos do trabalho", explica.

A suposta tendência feminina a não querer tratar de assuntos profissionais fora do local de trabalho vem desaparecendo à medida que as mulheres conquistam mais responsabilidades profissionais. "É evidente que as características e habilidades sociais das mulheres e dos homens são diferentes por natureza", ela assegura. A ciência propôs uma explicação biológica, estabelecendo as diferenças entre o sexo masculino e o feminino. A maioria dos estudos concorda com a conclusão de que as mulheres dispõem de mais circuitos cerebrais para a linguagem e a observação das emoções alheias, e por isso muitos dos trabalhos deduzem que linguagem e conversação sejam importantes para as mulheres.

Ou seja, as mulheres têm maneiras próprias de se relacionar e de explorar suas redes de contatos, distanciadas das práticas masculinas de "vamos tomar uma ao sair do escritório" ou "vamos marcar uma partida de golfe". E, nos últimos anos, as redes femininas estão se estendendo como teias de aranha em diversos âmbitos profissionais. Alastruey, que trabalha tanto com redes mistas quanto com redes exclusivamente femininas, aponta que as maiores diferenças são "o grau de detalhe em que se baseiam e a constância e periodicidade dos encontros". As mulheres, aparentemente, são muito dedicadas às redes de que participam.

Uma boa maneira de começar a fazer networking é se integrar a uma rede existente. Isso foi o que fizeram as mais de duas mil mulheres que participam do Círculo de Mujeres de Negocios, uma plataforma organizada em torno do site http://www.mujeresdenegocios.net. Elena Faba de la Encarnación, fundadora e presidente da organização, explica a receita de seu sucesso. "A fórmula de uma plataforma digital é combinar as novas tecnologias com as necessidades coletivas, criando um ambiente de confiança, porque a organização garante que todas as candidatas sejam passadas por um crivo que leve em consideração suas realizações profissionais".

Além das ferramentas de contato e promoção pessoal que a plataforma digital propicia, as empresárias associadas podem participar de encontros mensais (em grupos de no máximo integrantes) e das diferenças iniciativas que a organização propõe periodicamente. "Estamos muito satisfeitos com o resultado, porque desde a criação do grupo, em fevereiro de 2005, crescemos sem parar. A idéia funciona devido à energia intensa que todas dedicamos a ela, e ao objetivo comum que temos. Não somos um grupo de amigas. Estamos aqui para fazer negócios e melhorar nossas carreiras profissionais. Com base nisso, podem surgir relações pessoais, mas o Círculo é usado para resolver questões profissionais", diz Faba.

Eugenia Bieto, subdiretora geral da Esade, a escola de administração de empresas de Barcelona, acredita que as redes femininas propiciem um tipo de contato muito valioso, mas advoga uma duplicação de esforços. "São precisas duas redes, a profissional, envolvendo homens e mulheres, e a pessoal. Em uma rede exclusivamente feminina, é comum que as participantes compartilhem de inquietudes e problemas próprios, comuns a todas as mulheres qualquer que seja o ambiente profissional a que elas pertencem". Por exemplo, o programa Directivas XXI, um seminário dirigido a mulheres nas profissões liberais organizado pela Esade, inclui a formação de redes de contatos como um de seus objetivos principais.

O estudo "O Negócio Está nos Relacionamentos ¿ Mas Onde Estão as Mulheres?", conduzido pelo centro internacional de trabalho e família da IESE, aponta para a falta de uma rede de contatos informais como a segunda maior barreira ao desenvolvimento profissional das mulheres. O relatório menciona a consultora Sheila Wellington, que elaborou uma lista de desculpas que as mulheres costumam utilizar para evitar esse tipo de relacionamento. A sensação de que estão se aproveitando de uma situação, o medo de rejeição em ambientes hostis, a falta de poder de decisão e a falta de tempo são as principais causas de resistência, da parte delas, a integrar uma rede de contatos desse tipo. No entanto, o número de mulheres que participam de redes de contatos profissionais ou que criam redes próprias para essa finalidade vem crescendo constantemente.

Tradução: Paulo Migliacci ME

La Vanguardia

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