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Tecnologia

 
 

Jovens milionários não param no primeiro sucesso

29 de outubro de 2007 14h04 atualizado às 17h30

Max Levchin, criador do PayPal e que trabalha de 15 a 18 horas por dia em sua nova empresa, a Slide.com, passa um raro momento livre passeando com sua .... Foto: Damon Winter/The New York Times

Max Levchin, criador do PayPal e que trabalha de 15 a 18 horas por dia em sua nova empresa, a Slide.com, passa um raro momento livre passeando com sua cachorra, Uma, em San Francisco.
Foto: Damon Winter/The New York Times

Alguns anos atrás, Levchin, um dos jovens príncipes do Vale do Silício, adquiriu sua primeira casa, uma mansão eduardiana de 12 quartos, no topo de uma das colinas de San Francisco, por US$ 3,4 milhões. Mas Levchin, que fez fortuna aos 27 anos de idade ao vender o PayPal, o serviço de pagamentos online que ele havia criado em 1998, jamais se mudou para a casa. Ele a vendeu dois anos mais tarde sem ter dormido ao menos uma noite em qualquer dos quartos.

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O jovem empresário terminou por se mudar, mais tarde, para sua segunda casa, ainda mais cara, escolhida para ele por Nellie Minkova, com quem namorou por oito anos e de quem agora está noivo. Mas ele dedica tanta atenção ao trabalho em sua nova companhia, uma empresa iniciante de distribuição de fotos e vídeos via Internet, que as caixas que contém aquilo que Levchin descreve como "85% do que possuo no mundo" continuam empilhadas na sala de visitas, cinco meses depois que a transportadora os deixou na casa.

Levchin, 32, é um exemplo típico da nova geração de jovens titãs do Vale do Silício, que poderiam ser designados como "prematuramente ricos" - empresários do setor de tecnologia cujos patrimônios atingem a casa das dezenas de milhões de dólares, ou ainda mais, em uma idade na qual a maioria das pessoas comuns ainda está decidindo o que pretende fazer com suas vidas.

A Internet, uma mídia que não envolve grandes custos fixos e oferece alcance mundial, acelerou enormemente o fenômeno de criação de riqueza, produzindo uma geração ainda maior de milionários, em idade mais baixa e com patrimônio mais alto do que costumava ser o caso no passado.

Eles com certeza apreciam muito a riqueza que conquistaram, mas muitos desses magnatas da tecnologia ainda parecem meninos, e freqüentemente demonstram indiferença diante do poder aquisitivo que vieram a adquirir, pelo menos no estágio atual de suas vidas. Em lugar disso, quase todos eles optaram por voltar imediatamente ao trabalho com uma segunda empresa iniciante, não tanto porque desejem uma casa nova e espetacular ou um jatinho pessoal - se bem que esse seja o caso para muitos deles -, mas sim porque gostam de competir uns contra os outros, e de competir contra si mesmos.

"Para a maioria de nós, voltar ao trabalho significa superar aquilo que fizemos anteriormente", disse Peter Thiel, sócio de Levchin no PayPal e também fundador de um novo negócio, um fundo de hedge chamado Clarium Capital. "E isso pode representar uma tarefa realmente difícil".

Mesmo em meio a esse grupo de empresários de enorme sucesso e energia, Levchin se destaca. Em parte isso se deve ao fato de que superar o PayPal bem pode ser uma meta impossível. Levchin reconhece que já ganhou muito mais dinheiro do que conseguirá gastar. Mas disse que não consideraria a Slide.com, site de fotos e vídeos que ele fundou em 2005 e ainda estão em fase inicial de operações, como sucesso a não ser que a empresa venha um dia a valer, em dólares de verdade, "pelo menos US$ 1,54 bilhão", o valor que o eBay pagou pelo PayPal.

"De outra forma", ele pergunta, retoricamente, "o que terei de fato aprendido?". Durante seus dias no PayPal, Levchin se dedicava tanto ao sucesso da empresa que era comum que ele dormisse no escritório, em um saco de dormir que guardava sob a mesa. Considerando que ele descreve o apartamento em que morava na época como "assustador", talvez a decisão demonstre uma certa lógica. Em seu apartamento de então, caixas de papelão serviam como mobília na sala de estar, e uma mesa de computador bamba servia como mesa de jantar.

Hoje em dia, a despeito do sucesso fenomenal do PayPal, que responde pela maior parte de uma fortuna pessoal avaliada em cerca de US$ 100 milhões, Levchin continua trabalhando entre 15 e 18 horas por dia. "Nós ocasionalmente saímos para jantar, ele dorme algumas horas, se exercita", diz Minkova. "Mas, fora isso, Max só trabalha".

Minkova brinca, com uma ponta de seriedade, que ela talvez viesse a apreciar mais as noites em que sai com o namorado caso ele não passasse o tempo todo em seu BlackBerry, respondendo mensagens, e verificando o site da empresa.

Um amigo de Lecvchin, Dennis Fong, que no passado vendeu uma empresa de Internet à MTV Networks por US$ 102 milhões (e já está envolvido na criação de uma nova companhia de Internet), menciona "o esquisito barulho, quase um uivo", que Levchin emite sempre que alguém menciona o nome da principal rival de sua nova empresa, a RockYou.

E a dedicação de Levchin ao sucesso da Slide.com é tão imensa que ele mantém um monitor de pressão arterial em sua mesa. "Não sei o que eu faria se não pudesse criar companhias novas", ele diz. "Provavelmente cortaria os pulsos".

The New York Times
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