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Sexta, 2 de novembro de 2007, 07h12 Atualizada às 09h53

Chinesa de 60 anos cria blog para defender filho gay

Uma mulher de 60 anos se tornou a primeira mãe da China a defender a homossexualidade de seu filho explicando sua experiência num blog, num país onde os gays ainda sofrerem discriminação, informou hoje o jornal Xin Jing Bao.

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Wu Youjian, de Cantão, no sul do país, espera que lendo seu blog outros pais de homossexuais na China aceitem a condição de seus filhos. "Eu gostaria que os pais de outros homossexuais leiam meu blog para que saibam que meu filho é igual aos seus, e que eu o aceito", explicou Wu.

O filho de Wu, Zheng Yuantao, 27 anos, foi o primeiro a "sair do armário" na província de Cantão. Desde 2001 ele trabalha como editor de um site para gays. Naquele mesmo ano, a China deixou oficialmente de considerar a homossexualidade como uma doença.

A mãe explica que sua relação com Zheng é mais "de amizade". Por isso, o jovem se abriu com ela ao completar 18 anos. "Acho que você já sabe que gosto de rapazes", disse Zheng naquela noite, lembra Wu. "Não me surpreendi, mas achei que ele ainda era muito jovem para ter certeza sobre a sua sexualidade", conta.

A mãe foi a encarregada de conversar sobre o tema com o pai. Mas os dois concordaram em dar liberdade a seu filho. "Não senti angústia nesse momento, como poderia imaginar a maioria", explica Wu.

Zheng é entrevistado com freqüência pelas redes de TV chinesas por sua condição de homossexual. A mãe, após refletir durante dois dias, aceitou aparecer num programa do canal Nanfang. "Sou consciente dos riscos que meu filho corre por sair do armário. Muitos amigos e parentes vão nos reconhecer. Mas ser homossexual não é contra a natureza, nem uma doença, nem tem nada negativo. Por que sentir vergonha?", reflete a mãe.

Segundo diversas estatísticas, a China tem uma comunidade de 40 milhões de homossexuais, dos quais 21% já foram pelo menos uma vez insultados, agredidos ou extorquidos por causa da sua sexualidade. O governo comunista deixou de considerar a homossexualidade uma doença. Mas a maioria da população ainda acha que é um desequilíbrio.

EFE

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