
Elizabeth Olson
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David Phipps, consultor de segurança em Baltimore, é um deles. Depois que sua filha Katie conseguiu licença como aprendiz de motorista, Phipps disse que se preocupava o tempo todo com a segurança dela nas ruas. Por isso, este ano ele adquiriu um sistema portátil de GPS para que ele possa saber por onde anda o Toyota Scion da filha. "Posso clicar no botão de rastreamento", disse Phipps, "e em 35 segundos descobrir por onde ela anda". "Minha mulher e eu queríamos o aparelho para a segurança dela e para a nossa paz de espírito", afirmou.
Phipps comprou online o aparelho do Global Tracking Group. O sistema é capaz de enviar notificações por e-mail ou mensagem de texto, e pode ser instalado sob o painel, acoplado ao acendedor de cigarros ou a outro ponto de conexão do veículo, o que permite que o observador avalie o comportamento do motorista, sua localização, velocidade e, no caso de certos modelos, até mesmo se o cinto de segurança está em uso.
Além do custo do aparelho, os pais pagam uma taxa mensal pelo rastreamento em GPS, que usa satélites para localizar o carro e depois transmite a informação a uma estação de telefonia móvel.
Os proponentes alegam que o sistema ajuda os adolescentes a se conscientizarem, o que faz deles motoristas mais responsáveis. Mas a maioria dos jovens motoristas não aprecia muito que seus pais controlem o comportamento deles ao volante.
"É parte de nosso pacote familiar para que eu use o carro", diz Douglas Joyce, 17, aluno de terceiro ano de segundo grau em Punta Gorda, Flórida, sobre o acordo com seus pais para instalar um aparelho de GPS em seu carro. O pai dele, também chamado Douglas Joyce, médico, instalou um aparelho desses no carro da filha depois que ela viajou a Tallahassee sem avisá-lo.
Agora, a filha já se formou, e por isso o aparelho foi transferido ao carro do irmão, diz Joyce pai, quando o menino começou a dirigir. Ele diz que o aparelho, produzido pela Alltrack USA, fez "tremenda diferença" para sua paz de espírito.
Acidentes com veículos a motor são a maior causa de morte para jovens entre os 13 e os 19 anos, nos Estados Unidos, de acordo com estatísticas do governo. O Instituto de Segurança Rodoviária, financiada pelas seguradoras norte-americanas, afirma que em 2005, o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis, 5.288 jovens morreram em colisões de veículos.
Estados como Maryland experimentaram picos no número de adolescentes mortos em acidente, nos últimos anos, e por isso reforçaram as restrições para motoristas com menos de 18 anos, incluindo a necessidade de que eles passem mais tempo dirigindo em companhia dos pais, para aprender o básico. Embora não existam estatísticas que demonstrem que monitoração reduz o número de mortes e ferimentos entre os motoristas jovens, alguns pais estão convencidos de que saber o que seus filhos adolescentes estão aprontando é melhor do que não saber.
As seguradoras começam a concordar, e algumas delas oferecem descontos à famílias que instalem sistemas de rastreamento em seus carros. Desde 4 de outubro, a Safeco está oferecendo um desconto de 15% em suas apólices a clientes de 39 Estados que optem pelo "Teensurance", que inclui assistência rodoviária e a instalação de um aparelho de GPS gratuito.
O aparelho permite que os pais determinem uma velocidade máxima para o veículo, qual o maior percurso que ele pode realizar e um horário máximo de uso. Caso o carro seja usado fora de horário, os pais são alertados por e-mail ou mensagem de texto ¿tudo isso por uma taxa mensal de serviço.
Outra seguradora, a AIG, oferece produto semelhante, o MobileTEENGPS, mas não o acompanha com descontos, e outras companhias oferecem descontos para carros equipados com dispositivos contra roubo, entre os quais o GPS, devido à sua capacidade de rastrear o carro - nesse caso, a idade do motorista não faz diferença.
Uma alternativa ao rastreamento por GPS pode ser encontrada em aparelhos como o CarChip, que registra e informa como um carro está sendo dirigido. A caixa preta pode ser removida do carro e seu conteúdo baixado para um computador, no qual o observador pode avaliar, por exemplo, para onde o veículo foi dirigido, e em que velocidade.
Pat e Mike Manley, de Staten Island, em Nova York, usaram o CarChip, anos atrás, para fiscalizar o comportamento de seu filho depois que ele recebeu uma multa por excesso de velocidade. Eles usaram o aparelho por seis meses, e verificavam regularmente se havia problemas.
Os Manley informaram o filho de que estavam usando o aparelho. Mas alguns pais não o fazem, argumentando que aparelhos ocultos são a única maneira de saber realmente como os filhos dirigem.
Frank Velasquez, gerente de vendas da Davis Instruments, fabricante do CarChip, usou o sistema no carro do seu filho e o apanhou por duas vezes dirigindo a cerca de 150 km/h em uma rodovia próxima. "Isso me abriu os olhos", diz Velasquez. "Ele é ótimo aluno, pratica esportes e tem um emprego em tempo parcial. Mas o aparelho me fez lembrar de que ele é apenas um adolescente. Nós conversamos, e eu expliquei o quanto uma multa por excesso de velocidade custaria, e que ele poderia perder a licença de motorista e ver uma disparada nos custos de seguro. Melhor uma conversa como essa do que vê-lo envolvido em um acidente".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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Rob Mattson/The New York Times
O médico Douglas Joyce (esq.), na Flórida, segura um relatório de rastreamento dos hábitos do filho Douglas Joyce (dir.), 17, ao volante.
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