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Terça, 6 de novembro de 2007, 10h13 Atualizada às 11h31

Google entra no mercado de telefonia móvel

O Google anunciou no final da segunda-feira que vai oferecer um sistema de software para que a Internet funcione tão bem nos celulares quanto em computadores, em um esforço para promover mudanças em um setor estreitamente controlado.

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Em sua estréia no setor de telefonia móvel, que há muito era alvo de boatos, a maior empresa mundial de Internet anunciou que começará na semana que vem a ingressar no segmento, permitindo que programadores independentes utilizem seu software, conhecido como "Android". Com isso, a companhia espera que celulares baseados em sua tecnologia sejam lançados no segundo semestre de 2008.

O Android é baseado em tecnologia Linux que pode ser adaptada livremente por produtores de software e hardware. A operadora móvel T-Mobile, da Deutsche Telekom, começará a vender celulares com base no software Google em 2008. A China Mobile, maior operadora mundial de telefonia celular, as japonesas NTT DoCoMo e KDDI e a operadora européia e latino-americana Telefónica também anunciaram que estão trabalhando com fabricantes de aparelhos para desenvolverem celulares com o software do Google.

A companhia, que não tem planos imediatos de produzir celulares com sua marca, anunciou a formação de uma aliança com 33 empresas, entre as quais as fabricantes de celulares Motorola, Samsung Electronics e High Tech Computer . "Nossa esperança é que milhares de modelos diferentes de celulares sejam acionados pelo Android", disse Eric Schmidt, presidente-executivo do Google, a jornalistas, em uma entrevista coletiva depois do anúncio.

O Google afirmou que não está com pressa em ver operadoras de telefonia móvel alterando a maneira pela qual cobram por seus serviços, mas afirmou que novas maneiras de faturar, como serviços bancados por publicidade, no futuro se tornarão possíveis. "Vamos primeiro colocar em operação a plataforma tecnológica necessária, e mais tarde descobriremos como ganhar dinheiro com ela", disse Andy Rubin, o executivo encarregado pelo desenvolvimento dos planos de telefonia móvel do Google, em entrevista à Reuters. "Não teremos um celular operando com esse sistema e com seus custos completamente bancados por publicidade, por enquanto", afirmou ele durante uma entrevista.

Uma vez que o Google está oferecendo o software de graça, Rubin disse que as operadoras poderão repassar economias de custo de 10% aos consumidores, via subsídios de aparelhos ou tarifas mensais menores. O Google tem interesse em acordos de compartilhamento de receitas com as operadoras móveis que concordarem em reduzir cobrança mensal de serviços de dados, o que expandiria a audiência potencial da web em celulares, afirmou o executivo.

A estratégia coloca o Google de frente contra sistemas rivais de software para dispositivos móveis fornecidos por Nokia, Microsoft e Apple, fabricante do iPhone. Uma série de parceiros do Google informou que continuará trabalhando com sistemas concorrentes.

Tradicionalmente, as operadoras celulares exercem um controle elevado sobre software e serviços que os usuários podem usar em seus aparelhos e geralmente ficam com uma parcela considerável de receita obtida com a venda de serviços de terceiros a seus clientes.

Em contraste, o Google afirma que o Android não faz diferença entre as funções principais de um celular - geralmente pré-instaladas pelos fabricantes ou operadoras - e qualquer outra aplicação independente adicionada pelos usuários mais tarde.

A empresa de pesquisa Strategy Analytics estima que o Android estará em 2% dos celulares inteligentes em 2008. Apesar disso, segundo o Yankee Group, os celulares inteligentes serão apenas 6% do total do mercado de telefonia móvel dos Estados Unidos este ano.

Reuters

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