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Tecnologia

 
 

Co-fundador da Wikipedia prevê diálogo entre culturas

06 de novembro de 2007 17h33 atualizado às 18h18

O empresário americano Jimmy Wales, co-fundador da enciclopédia livre online Wikipedia, previu hoje que a rede trará no futuro um "fascinante diálogo entre culturas" com a incorporação de 1 bilhão de novos usuários não ocidentais.

"A mudança mais importante que vamos ver na Internet é que nos próximos 5 a 10 anos os 1 bilhão de usuários atuais serão somados por outros 1 bilhão, que não serão dos EUA, da Europa ou do Japão, mas da Índia, China e do Brasil", afirmou Wales.

Em entrevista, o inspirador de um projeto que já é o oitavo website mais visitado da rede se declarou otimista sobre o impacto que esses novos usuários representarão, porque romperá a tendência de uma globalização marcadamente ocidental.

"Vamos ter toda uma nova onda de gente se unindo ao mundo online e à globalização. Acho que vai a ter um impacto interessante, porque até agora a comunicação que houve ocorreu entre pessoas que estão nos EUA e na Europa e que são culturalmente muito parecidas", destacou.

Por isso, a Wikipedia, que atualmente agrupa quase 9 milhões de artigos (verbetes) em 253 idiomas, escritos e editados pelos próprios usuários, está trabalhando "em projetos que tenham a ver com a colaboração entre tipos de gente diferentes".

Wales tem especial interesse em impulsionar a comunidade Wikipedia em lugares onde há uma língua minoritária. Por isso, ele visitou o País Basco, na Espanha (onde umas 700.000 pessoas falam euskera, a língua basca) e vai em breve à África do Sul promover um projeto em xhosa (a língua natal de Nelson Mandela).

Na África do Sul além disso será criada uma "Academia Wikipedia", com o objetivo de "educar a população local em seu idioma natal, em uma experiência com a qual vamos tentar determinar se a Wikipedia serve para promover o crescimento de uma língua".

Wales destacou que "pode-se conseguir um projeto muito dinâmico e ativo inclusive com uma língua falada por um pequeno número de pessoas". Ele citou como exemplo o sueco, que tem apenas seis milhões de falantes "e uma grande comunidade na Wikipedia", sendo o décimo idioma com o maior número de verbetes.

O website que ele criou junto com Larry Sanger se transformou em uma referência mundial e Wales admitiu que seu uso como fonte de informação - levando em conta o fato de que pode ser manipulada por qualquer um - "chega a ser arriscado", apesar "da paixão com a qual o núcleo duro da comunidade vive a necessidade de ser confiável e preciso".

"Não se pode ignorar a Wikipedia, porque ela é fabulosa, fácil e maravilhosa, mas pode ser arriscado usá-la. Eu sempre digo que é preciso usá-la como ponto de partida, porque é rápido, mas que depois, segundo as circunstâncias, é preciso checar", disse.

Para melhorar a confiabilidade da informação, foi iniciada uma experiência-piloto com a comunidade Wikipedia em alemão. Os novos usuários que queiram editar informação "serão analisados previamente por usuários mais experientes", explicou.

"Por um lado pode ser que isso reduza o número de usuários, algo que não é bom, mas certamente reduzirá o número de atos de vandalismo aleatório que se registra", acrescentou Wales.

A Wikipedia é propriedade da Fundação Wikimedia, organização sem fins lucrativos. Mas Wales coordena também um projeto privado, a Wikia, que procura competir a médio prazo com as grandes ferramentas de busca da internet como o Google e o Yahoo!.

A proposta é diferente, pois "será a comunidade a que controlará e decidirá" a informação mais relevante ao se fazer uma busca, "e não um algoritmo de software".

"É um enfoque radical e não sabemos se funcionará ou não, mas será divertido tentar. Estamos construindo o mecanismo e esperamos lançá-lo no final de dezembro. Não será muito bom no início.

Avisamos às pessoas que é um projeto de ferramenta de busca e não um projeto finalizado para poder concorrer com o Google", advertiu.

Outro projeto do qual Jimmy Wales participa é a ONG "Creative Commons", que procura criar um marco jurídico para direitos autorais. O objetivo é facilitar a vida das pessoas que querem compartilhar seus trabalhos com outros na rede e se vê perdida no emaranhado legal das leis de propriedade intelectual.

"Nossa mensagem é que como criador ou artista se pode divulgar um trabalho sob uma licença que permita o acesso a alguns usuários, mas não a outros. É um meio-termo entre a completa anarquia e a tentativa de controlar todos os direitos", destacou.

Muitos criadores, assegurou Wales, acham que é "um enfoque acertado" dizer aos usuários "que eles podem copiar algo, mas sem modificar, ou que podem copiar algo, mas sem comercializar".

EFE
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